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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Uma curiosidade

Para ver, ouvir e reflectir um pouco. Não é muito difícil ter coragem suficiente para encarar os factos. Trabalhar no sentido de colocar as coisas no seu devido lugar talvez exija mais qualquer coisinha mas essa é a tarefa de um educador que se preze. Pai, mãe, professor ou encarregado de educação.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Os jovens e a política


II

Neste ensaio debate-se o problema da necessidade de os jovens se interessarem pela política. É bastante importante que os jovens não estejam alheios às questões relacionadas com a política. É necessário cativar o interesse dos mais novos para as questões relacionadas com a política. O desinteresse dos jovens pode vir a comprometer o futuro do nosso país.
É nítido o desinteresse dos mais novos pela política e isto deve-se, principalmente, à falta de incentivo tanto pelos pais como pelos professores. Os jovens são a próxima geração, são os que vão, futuramente, intervir nas decisões políticas, como as votações. Se os jovens não adquirem espírito crítico e interesse pela política como irão votar sem serem influenciados pelos discursos enganadores e manipulações dos políticos? Eventuais posições em confronto defendem que os jovens são constantemente bombardeados por assuntos relacionados com a política através da televisão, dos jornais e de todos os outros meios de comunicação. Defendem que o interesse pela política vai-se adquirindo, uns jovens mais cedo que outros.
Defende-se então que o interesse dos mais novos pela política é muito importante e que a melhor forma de promover este interesse seria através da escola, incorporando assuntos relacionados com a política nos programas escolares. Há três razões para se pensar que esta medida seria a mais indicada.
Primeiramente para haver interesse e gosto pela política é necessário conhecer a área. Em segundo lugar os interesses adquirem-se segundo a nossa educação e o meio em que vivemos. Se a política fizesse parte da educação e houvesse incentivo em conhecer a área o desinteresse dos mais novos não seria tão elevado. Por fim, se os jovens tivessem o espírito crítico mais activo poderia ser uma forma de futuramente haver um desenvolvimento político, como também económico e social do nosso país.
Posições em confronto defendem que os programas escolares são muito extensos, os professores têm já dificuldade em cumprir a totalidade dos programas e seria prejudicial para os alunos terem matérias acrescentadas, uma vez que, são avaliados a partir de testes e exames. É possível conciliar os extensos programas escolares com a política nas escolas. Por exemplo, as visitas de estudo organizadas pelas escolas ou as aulas mais lúdicas, como visionamento de filmes, poderiam cativar e informar os alunos de questões relacionadas com a política.
O desinteresse dos mais jovens é preocupante. É necessário cativar o interesse pela política e despertar o espírito crítico dos mais novos sendo a forma mais viável incluir assuntos sobre a politica nos programas escolares uma vez que jovens passam muito tempo nas escolas.
Catarina Nunes, 11º B, outubro/2010

III- comentário

(…) Está comprovado que os jovens têm não só um baixo nível de interesse pela política mas também um reduzido nível de conhecimentos sobre a mesma área, no entanto, esta situação não é adequada numa sociedade democrática amadurecida (…) existe realmente uma porção da comunidade jovem que se interessa e envolve na política, compreendendo os seus problemas. Vê-se o exemplo do Parlamento dos Jovens, onde os mesmo avaliam e defendem argumentos de forma crítica desenvolvendo as suas capacidades sociais, que serão certamente importantes no seu futuro profissional e também como parte do eleitorado.
Assim, estou em crer que o interesse dos jovens pela política é uma necessidade das sociedades democráticas e deveria ser incentivado, dado que os jovens de hoje representam o futuro dos países. Se estes não estiverem informados sobre o funcionamento da política, não poderão avaliar criticamente os argumentos dos que os tentam persuadir nem conseguirão defender as posições em que acreditam, não conseguirão argumentar. Visto que a argumentação é a base da democracia, esta falha nos jovens poderá levar a consequências desastrosas no futuro.”

Marta Herculano 11º A, excerto de ensaio

IV- DEBATE

No dia 6/10/10 foi realizado um debate para reflectir um tema actual “Os Jovens e a Política”. Nesse debate, em formato de Parlamento dos Jovens, participaram dois partidos, A e B. Ambos reflectiram as causas da pouca adesão dos jovens à vida política e, por conseguinte, apresentaram algumas propostas para mudar esse facto.

O partido A começou o debate de uma forma pouco organizada, apesar disso, revelou que a falta de informação sobre a área bem como a inexistência de formação sobre a mesma eram umas das causas principais, mas não só, realçou também a desconfiança que os jovens têm em relação às falsas promessas feitas pelos partidos durante as campanhas políticas e à sua má divulgação.
Do outro lado da bancada, tivemos um partido B bastante organizado, com as ideias bem estruturadas e definidas. Tendo feito uma breve introdução referiu que a população tem uma má imagem da política portuguesa e apesar de haver uma falta de adesão dos jovens na política eles conseguem ser mais optimistas que as outras faixas etárias, E, por fim, que a maioria dos jovens que adere à política é do sexo masculino, mais à direita, informando-se maioritariamente a partir da televisão. ( documento do Centro de Sondagens, UCP, de 2008)
De seguida expuseram-se as causas:
-os jovens têm pouco interesse pela política devido ao desconhecimento que têm pelo assunto pelo facto de os políticos usarem uma linguagem complexa destinada a adultos; à fraca crença dos adultos nos políticos que transmitem essa mesma falta de confiança para os seus filhos. Para além disto, considerou a sociedade como uma das causas do que leva os jovens a afastarem-se, mostrou o seu desagrado pelo facto da comunicação social apenas expor a parte negativa da política, o que a leva a ser mal vista e mal interpretada. Também considerou os actuais jovens como egoístas que só se preocupam com os seus problemas logo, leva-os apenas a manifestar-se por algo do seu interesse directo. E, por fim, criticou ainda a variedade de meios de entretenimento que leva os jovens a não se preocuparem com temas sérios.
Verificámos que ambos os partidos tinham algumas ideias iguais mas expostas de formas diferentes. De seguida, debateram-se algumas propostas para chamar a atenção dos jovens para a política:
O partido A, mais uma vez de uma forma pouco explícita, propôs uma maior divulgação especializada, a criação de uma nova disciplina que forme os jovens para a área política; apelou a uma maior veracidade nos discursos políticos e, de uma forma algo vaga, apelou à alteração dos comportamentos da sociedade, apesar de não ter sido apresentada como uma das causas.
O partido B continuou com a sua excelente organização e de forma fácil de entender propôs a introdução da Política na disciplina de Formação Cívica, uma maior publicidade partidária, a realização de actividades partidárias interactivas que cativassem os jovens, a criação de um semanário dirigido aos jovens. E ainda que os partidos reflectissem mais os problemas dos jovens, realizarem parcerias com ONG´s, utilizarem novas tecnologias para que fosse mais fácil chegar aos jovens.
Durante todo o debate, assistimos a alguns confrontos entre deputados, quanto às causas identificadas mas a maioria das trocas de ideias baseou-se na parte relativas às propostas.
No final, procedeu-se à votação na generalidade. Provou-se que o partido B esteve melhor durante todo o debate, uma vez que, as suas propostas foram aprovadas pela maioria dos deputados.

Mariana e Diogo 11º D

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Os Jovens devem interessar-se pela Política?


Neste ensaio será abordado o problema de saber se os jovens devem ou não interessar-se pela política. A posição que defendo é a de que estes devem interessar-se.

Dado que vivemos em regime democrático e que os jovens pouco se interessam pela política, é necessário avaliar se de facto os jovens devem interessar-se pela política e em que medida devem fazê-lo. Os jovens são, como a restante população, uma parte integrante da construção da nossa democracia e devem, por isso, ser alvo da devida atenção.

Poderemos ver este problema de dois modos, no geral. O primeiro, a posição defendida, é a de que os jovens devem interessar-se pela política porque estes têm o dever civil de participar nela e porque daí podem retirar imensas vantagens para si e para a comunidade. A segunda, contrária, é a de que os jovens não devem interessar-se pela política por esta ser maçadora, difícil de entender, pouco credível e envolver uma maturidade de que os jovens não dispõem.

Defendo que os jovens devem interessar-se pela política, porque estes, enquanto cidadãos, têm o dever de fazer o seu contributo para a consolidação da democracia, pela prestação do seu voto e opinião. Dado que os jovens, assim como todas as restantes pessoas, querem ver satisfeito o seu desejo por uma sociedade justa e equitativa, devem fazer a sua parte e participar, civicamente, na política. Para além do interesse e participação na política ser um dever cívico e uma das poucas formas de contribuir para a construção de uma sociedade melhor numa democracia como a nossa, estes podem também conduzir à obtenção de diversas competências, tais como a liderança, a solidariedade, a iniciativa, a responsabilidade ou a tolerância, vitais para a edificação do jovem enquanto indivíduo.

Como objecção, poder-se-ia dizer que os jovens não são “cidadãos” na mesma medida que a população mais velha, não tendo, por exemplo, o direito de voto. No entanto, os jovens possuem a racionalidade e o desejo suficientes para contribuírem para a política e podem ainda julgar e avaliar como a restante população., dando os seus pareceres.

A tese oposta à defendida sustenta que os jovens não devem interessar-se pela política. A política é um campo enfadonho, pouco compreensível e excessivamente formalizado para que os jovens possam interessar-se por ela. Também a falta de confiança no sistema político e a imagem denegrida dos políticos exerce o seu contributo ao desinteresse pela política. A isto tudo soma-se que os jovens não possuem maturidade suficiente para avaliarem criticamente a política e o que a ela está subjacente. Respondendo a esta posição, digo que, apesar da política não ser sempre interessante e lhe faltar o carácter apelativo, e que esta pode de facto ser de difícil compreensão, estes problemas são contornáveis e não dificilmente superáveis, dando aos jovens as ferramentas necessária para uma compreensão plena da esfera política. Quanto à falta de confiança na política, os jovens teriam certamente mais confiança nela se tomassem parte na sua construção, pelo que este é outro problema transponível que não injustifica o interesse. Já quanto à imaturidade juvenil, afirmo ser falsa a afirmação de que os jovens são “demasiado novos” para a política, pois estes possuem a capacidade de avaliação crítica necessária para formular uma opinião e fazer escolhas relativamente à política.

Em síntese, o problema do interesse dos jovens pela política merece a nossa atenção e defendo que os jovens se devem interessar por ela, pois é seu dever cívico, enquanto cidadãos, e proporciona variadíssimos benefícios para o enriquecimento das suas capacidades.

Nota: para enquadramento e reflexão da problemática foi pesquisado o documento “Os Jovens e a Política” do CESOP de Janeiro de 2008, UCP, a que se seguiu debate-turma em formato de Parlamento dos Jovens.


André Carvalho, 11º A Outubro de 2010

sexta-feira, 12 de março de 2010

Da Cultura em Portugal


in Revista Única do Expresso de 31/12/2009

Nesta crónica ferozmente crítica, Inês Pedrosa debruça-se sobre a evolução do estado da Cultura em Portugal, nesta última década. Depois de uma leitura atenta e interessada, uma vez que este tema, pessoalmente, é dos que me desperta maior curiosidade, é de sublinhar algumas ideias essenciais (“chave”) transmitidas pela autora: em primeiro lugar, que a Cultura actualmente é algo «pontual», que se expressa de tempos a tempos, e que é pertença de alguns, artistas e criadores, que a ela se entregam por gosto é certo, mas que «educados na cultura do individualismo absoluto e da competição feroz», reclamam a atenção para as suas produções, «de telemóvel em punho», anunciando à imprensa os seus quase…sucessos! Assim, a Cultura deixou de pertencer e de definir um povo, para se restringir a um conjunto de indivíduos, cada vez mais seduzidos pelo mundo empresarial e pelo lucro.
O Estado olvidou, marginalizou, negligenciou, arrumou a Cultura dentro de uma gaveta e não mais se lembrou dela, porque em cima da secretária se encontra o mais recente modelo do computador portátil. «Humanidades»? Essa palavra já deve estar quase ilegível no Dicionário. Novas tecnologias, apostar nas novas tecnologias… «concentraram-se todos os meios nas novas tecnologias», argumentando que é esse o futuro da Educação, cada aluno ter um computador na sua secretária, e mal saber soletrar a palavra c-o-m-p-u-t-a-d-o-r (é com “o” ou com “u” no início? Aliás, atentado após atentado à Língua Portuguesa no celebérrimo “Magalhães”, que seria o salvador da Educação Nacional). «Concentram-se todos os meios nas novas tecnologias (…) Mas Educação sem cultura, como é? Computadores e redes sem pensamento, para que servem?»
De acordo com a autora, e que é uma posição que partilho, a generalidade da população (e os próprios governantes) aparentemente pensa que ao Estado compete, dentro da Cultura, um papel de mera preservação dos “calhaus”. Os artistas, então, não precisam de qualquer tipo de ajuda, a inspiração é tal que a Arte sai tal e qual assim, sem meios nem recursos, da imaginação directamente para o papel ou tela, sem custos adicionais. Os princípios de «lucro rápido» e «escrever, pintar, esculpir, criar…sob as fórmulas gastas que a maioria do público gosta» são a morte do artista; uma vez que estagnam a Cultura no tempo, sem expressão de inovação, criatividade, da própria individualidade do artista…
E, horror dos horrores, símbolos nacionais reconhecidos internacionalmente são negligenciados ou subaproveitados, desde figuras a património arquitectónico. Que se preservem as tradicionais ruas estreitas Lisboetas, com os seus estendais, vasinhos nas varandas e laços estreitos de vizinhança é incontestável, mas é preciso “preservar” os graffitis, as paredes descoloridas com o estuque a cair e corroídas pela humidade, os passeios agradáveis pelas ruas transformados em corridas de obstáculos sob a égide da máxima «Vê onde pões os pés, para não pisares os “presentinhos”…» Dito assim a um turista, o que é que ele não há-de pensar… Que se preservem os salutares e tradicionais hábitos Portugueses, mas cuspir para o chão é sem dúvida, dos mais repulsivos e substituíveis, sem que daí venha a perda da identidade nacional. Desembarcam no Cais do Sodré ou aterram na Portela turistas à procura de Fernando Pessoa e deparam-se com alguns sinais escondidos. Porém, na minha opinião, devo acrescentar, a propósito, que acho lamentável que de artistas Portugueses, nomeadamente escritores, os estrangeiros tenham conhecimento de pouco mais que Fernando Pessoa ou José Saramago. Então e um Eça, com as suas descrições de refeições pouco recomendáveis a leitores de estômago vazio? E um Aquilino Ribeiro? E um Fernando Namora? E um Miguel Torga? E uma Agustina Bessa-Luís? E uma Florbela Espanca? E filósofos, sociólogos, psicólogos, críticos…? Pessoa e Saramago são símbolos, mas custa-me ver a sua aparente “exclusividade no estrelato”, quando com outros tipos de escrita, outros autores mereceriam também o seu reconhecimento além-fronteiras. Porém, compreendo e é indiscutível o marco que Fernando Pessoa se revelou na Literatura Portuguesa. E creio que o facto de uma parte da sua obra se encontrar escrita em Inglês (no original), facilitou também a introdução nos meios internacionais. E depois, há a questão clara da originalidade e da inovação da heteronímia que nunca alcançou este nível em qualquer outro canto do planeta. Muitos foram os escritores e poetas dedicados às questões sociais, mas demasiado presos à sua própria individualidade, e sempre através de uma mesma fórmula de escrita… Se algum alguma vez sentiu a multiplicidade fervilhar dentro de si como Pessoa, nenhum soube processar por palavras esse turbilhão, num estudo analítico de faceta lírica incrível da condição humana que poucos souberam atingir. Daí que ainda hoje, Pessoa seja um marco. Uma referência. Uma inspiração. Um modelo.
Inês Pedrosa conclui afirmando que Portugal nunca mereceu os criadores que teve e continua a não merecer os criadores que tem. A própria Mariza, a famosíssima jovem cantora de fado, afirma que construiu a sua carreira com os seus próprios meios, sem qualquer tipo de ajuda, patrocínio, apoio…quantos artistas não haverão perdidos aí, precisando apenas de um primeiro impulso inicial, de uma rampa de lançamento? É triste que predomine uma ideia retrógrada da Arte e da Cultura como léxicos desenquadrados do mundo actual moderno e progressista. Gostava de ver esse progresso. Olhá-lo nos olhos e tocar-lhe com a ponta do dedo e vê-lo desfazer-se. Falso, oco, pretensioso, uma desculpa, uma máscara, ocultando os problemas graves estruturantes do nosso país.
Ainda não chegou a hora. Atrasam-se as horas, os minutos, o ponteiro dos segundos pára porque não são ocasionais festivais e exposições que edificam uma Cultura.

Margarida Hourmat, 12º C

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Proposta de reflexão para este 25 de Abril

ilustração retirada do blogue O Cantinho da Educação


Mais logo terão lugar as comemorações do 35º aniversário do 25 de Abril ali mais em cima, na Praça da Liberdade, em Almada.

Já lá vão 35 anos e ganhámos o hábito de dizer que vivemos em Democracia. Mas será que a palavra Democracia ainda tem algum significado?

Ao longo do ano de 2009 vivemos alguns dos momentos mais empolgantes destes 35 anos. Nós, professores, está bom de ver. Refiro-me às duas manifestações realizadas em Lisboa, duas magistrais demonstrações de indignação, sentido cívico e de classe, das maiores que o nosso país teve oportunidade de ver desde que pode orgulhar-se de se chamar Portugal. Todos os que subiram as avenidas da capital nessas manifestações fizeram-no na convicção de que estavam a participar de um movimento de protesto mais do que justo, obrigatório. Um protesto contra um certo estilo de exercício do poder que não está de acordo com aquilo que imaginamos digno de uma sociedade democrática. Levantámos uma tal onda de contestação que toda a sociedade portuguesa voltou para nós um olhar algo surpreendido. Os professores davam, pela primeira vez na vida, uma clara lição de cidadania capaz de fazer acreditar ao mais desconfiado que constituem uma classe de trabalhadores unidos em torno de convicções próprias e, acima de tudo, uma classe corajosa e orgulhosa de o ser. À nossa luta respondeu o governo, através do seu ministéro da educação, com desprezo e uma campanha de desinformação digna do regime deposto, faz amanhã, 35 anos.

As manifestações passaram à história. Os problemas foram camuflados com sucessivas camadas de "simplex". Voltámos ao nosso quotidiano nas escolas sob uma chuva de ameaças mais ou menos veladas, no sentido de nos pressionar a aceitarmos aquilo que havíamos declarado, alto e bom som, ser de todo inaceitável. Ficámos entregues à nossa consciência. Entregar ou não entregar objectivos, aceitar ou não o inenarrável modelo de avaliação de desempenho, retocado, retorcido e maquilhado? Essas eram as questões a que teríamos de dar resposta. E respondemos.

Na reunião sindical realizada na nossa escola na passada 4ª feira, dia 23 de Abril, o delegado sindical, questionado sobre a percentagem de professores que, a nível nacional, acabaram por torcer o bico ao prego, entregando os famigerados objectivos individuais, respondeu que terá sido de, aproximadamente, 70%. Setenta por cento!!! Setenta por cento??? O que aconteceu à classe que tão orgulhosamente desfilara nas avenidas de Lisboa? O que aconteceu ao espírito de luta e ao impulso contestatário que tão fortemente manifestámos?

Neste dia de reflexão sobre os rumos da nossa Democracia sinto-me desapontado. Afinal reduzimos os valores democráticos à sua mais infíma expressão. Não só não demos nenhuma lição de cidadania ao país com a nossa luta como, ainda por cima, hipotecámos a nossa imagem e ridicularizámos a nossa classe aos olhos da opinião pública.

Com que autoridade regressaremos à rua para novas manifestações de repúdio para com um modelo de avaliação que, afinal, aceitámos?

Deixo a todos esta proposta de reflexão.

Viva o 25 de Abril.
Rui Silvares, professor

sábado, 28 de março de 2009

O coelho dos ovos


Entre todas as personagens que povoam o nosso imaginário colectivo há uma que, pela sua estranheza, sempre me deixou intrigado. Falo do coelhinho da Páscoa. A estranheza vem da relação entre o coelho e os ovos que, segundo uma tradição pouco clara, ele deixa por aí, à espera de quem os recolha. De onde vem esta relação anti-natura?

Procurando no Google (esse oráculo extraordinário) encontram-se referências não muito claras quanto à origem de tão estranha personagem.

A que parece mais lógica, ainda assim, é a de uma lenda que conta a história de uma mulher muito pobre, que não tinha presentes para oferecer aos filhos no domingo de Páscoa. A mulher cozinhou alguns ovos de galinha que depois pintou. Dotada de grande imaginação, teve a ideia de colocar os ovos dentro de um ninho que escondeu no quintal, entre as ervas. Quando as crianças encontraram os ovos, um coelho apareceu por perto e fugiu; as crianças acreditaram que o coelho havia posto aqueles ovos coloridos. Assim terá surgido esta crença que depois se propagou até aos nossos dias. Hoje os ovos são de chocolate e fazem parte de uma tradição comercial que a maioria das pessoas respeita quase religiosamente.

Podia ter aparecido às crianças um cão ou um gato, qualquer coisa assim, e hoje teríamos outro tipo de bicharoco a dar este toque surreal ao nosso imaginário infantil. A credulidade humana não tem limites e alguns adultos terão estado na origem de crenças bem mais bizarras do que esta mas que, com o tempo, se transformaram em factos reais. Faz parte da nossa condição.

Seja como for, o coelhinho da Páscoa, é uma daquelas figuras abstrusas que povoam o nosso universo consumista e que aceitamos com alguma indiferença, sem questionar a sua origem, tal como fazemos com o Pai Natal vermelhusco ou os monstrecos do Halloween.

O JA'' deseja boas férias a todos os leitores e muitos ovinhos de chocolate e amêndoas e essas coisas todas.


RS

quarta-feira, 9 de abril de 2008

As "aulas de substituição" estão a murchar

Outra batalha do Ministério da Educação que aguarda avaliação pública é a das "Aulas de Substituição", depois "Actividades de Substituição", depois qualquer coisa entre aulas e "ATL".
Foi polémica a sua implementação nas escolas, os professores contestaram, os pais aplaudiram, grosso modo. Depois da agitação inicial tornou-se uma rotina que é comentada de vez em quando, mas que é encarada como mais uma fatalidade que aconteceu e, como tal, é vivida como mais um sacrifício no quotidiano dos professores e dos alunos.
Como é tradicional na cultura portuguesa, as situações de facto vão sendo deixadas existir até caírem de podres. Depois da sua prática continuada nestes anos lectivos começa-se a notar um certo mal estar face à ocupação dos tempos de "furo" por ausência de um professor. Os docentes acomodaram-se e tentam levá-las o melhor possível. Os alunos também se acomodaram, mas com mais resistências, cujo limite é a sua recusa, evidente na tentativa de boicote ao professor desconhecido que lhes surge na sala. Agora, já se começa a ouvir pais e encarregados de educação colocando em dúvida a vantagem destas "aulas", a que atribuem algum excesso de energia acumulada pelos alunos, que ajuda à indisciplina nas salas.

Será tempo de reflectir (de avaliar, não é?) sobre esta medida do Ministério e reformular os seus pressupostos, modelos e verificar a sua pertinência actual. No fim de contas, se o princípio da avaliação é correcto, ele deverá ser aplicado em todas as estruturas do sistema, não apenas nalgumas direcções. E, neste caso, existe uma prática de anos que se traduz numa realidade factual e observável, resultante de normas de funcionamento que se aplicaram às situações concretas das escolas. Se é uma época em que a bandeira do rigor deve estar hasteada nos portões dos estabelecimentos de ensino, então a reflexão sobre as políticas educativas deve acompanhar a sua prática e os resultados da sua avaliação devem chegar às instâncias superiores, até às comissões de reforma que redigem as normas e aos gabinetes onde se traçam as políticas.

LM



terça-feira, 25 de março de 2008

Uma perspectiva (talvez mesmo duas)

O vídeo que se segue foi retirado dos vídeos SAPO e é acompanhado da seguinte
DESCRIÇÃO: Alvin e Heidi Toffler são dois dos ensaístas mais respeitados do mundo. Em conferência de imprensa explicaram que o sistema de ensino actual está obsoleto.
O JA'' convida-te a disponibilizar 6 minutos e mais alguns segundos para ouvires o que estes dois respeitáveis anciãos têm para te dizer. Desfruta e aproveita.




RS por indicação de LM

As Horas

O JA'' propõe uma reflexão a todos os interessados.
Já lá vão uns anitos desde que a maioria das aulas passaram a ter duração de 90 minutos. Não importa o ano de escolaridade, não interessa qual a disciplina. É irrelevante se a aula é de substituição ou se é "dada" na Oficina Pedagógica. É uma espécie de pronto-a-vestir com número único para todos os clientes; gordos, magros, altos ou muito baixos.
A experiência é a melhor das conselheiras e o JA'' apela a essa experiência para tentar encontrar pistas que permitam à Escola decidir melhor sobre o que é mais interessante para a comunidade escolar.

A primeira questão que se coloca é esta: as aulas de 90 minutos são produtivas?

Alunos, professores, pessoal auxiliar, pais, todos nós teremos opiniões fundamentadas sobre o assunto. Fica a proposta de que deixem aí em baixo os vossos comentários e as vossas sugestões.

RS