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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Casa Fernando Pessoa


O presente relatório, elaborado pela aluna Iolanda Neves do 12º B, é um convite à visita da Casa de Fernando Pessoa para quem pretende aprofundar o conhecimento da vida e obra de um dos maiores poetas portugueses.


Visita de Estudo à Casa de Fernando Pessoa
1. Objetivos
A Casa de Fernando Pessoa foi inaugurada em novembro de 1993, tendo sido concebida como um centro cultural destinado a homenagear Fernando Pessoa e a sua memória na cidade onde viveu e no bairro onde passou os seus últimos 15 anos de vida, Campo de Ourique. Este pequeno universo polivalente, devido às várias atividades que nele decorrem, apresenta na sua constituição um auditório, um jardim, salas de exposição, objetos de arte e uma biblioteca, puramente dedicada à poesia e onde se pode encontrar uma parte do espólio do poeta (objetos e mobiliário que em tempos pertenceram ao poeta e que atualmente são considerados património municipal).
Ao longo de toda a visita, e através das informações fornecidas pelo guia, tornou-se bastante visível o impacto da criação poética de Fernando Pessoa na génese do modernismo, tal como a relevância do papel do Poeta no contexto da identidade cultural nacional. O melhor exemplo desse impacto é a revista Orpheu, que se encontra exposta com grande relevância nesta Casa de Fernando Pessoa, através da qual se principiou o movimento modernista em Portugal, tendo provocado tamanha agitação e contestação. Dos três previstos, apenas foram lançados dois números desta revista, tendo Fernando Pessoa, ao longo deles, tornando públicos os poemas Opiário, Ode Triunfal e Ode Marítima, de Álvaro de Campos e O Marinheiro e Chuva Oblíqua do próprio poeta ortónimo.
Para além do contributo para a literatura portuguesa, Fernando Pessoa, sempre se mostrou ativo na sociedade no que diz respeito às vertentes crítica e política, tendo sido destacado, no decorrer da visita, um episódio em que Fernando Pessoa ridicularizou Salazar com a sua célebre frase «Tenho estado velho com este Estado Novo».
2. Recolha de dados informativos e sua análise
Durante a visita à Casa de Fernando Pessoa foi possível a observação de vários objetos pertencentes a Fernando Pessoa que possibilitaram retirar conclusões acera dos seus temas favoritos e o perfil do eu poético.
A arquitetura desta casa remete para a melancolia e tristeza que tomavam conta da vida de Pessoa devido à predominante presença da cor branca. Ora estes sentimentos desagradáveis, juntamente com o tédio existencial, levaram a que Pessoa se isolasse do mundo exterior, incluindo as pessoas que lhe eram mais próximas, logo pode concluir-se que a frieza também característica no quarto de Pessoa, está relacionada com o perfil do eu poético que se encontrava permanentemente domado pela dor de pensar e pela solidão.
Na minha opinião, a área mais pertinente da Casa de Fernando Pessoa é o seu quarto. Este situa-se no 1º andar e foi reconstituído tal como era em vida do poeta, apresentando como recheio um total de dezasseis móveis que pertenceram ao poeta durante a sua vida com um grande histórico de mudanças habitacionais. A peça de mobiliário que despertou mais interesse neste compartimento foi, sem dúvida, a cómoda onde, reza a lenda, Fernando Pessoa terá escrito, na noite de 8 de março de 1914, três dos seus maiores poemas: O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro, a Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa, e a Ode Triunfal, de Álvaro de Campos.
Uma outra divisão que despertou a atenção dos alunos durante a visita foi, certamente, a biblioteca. Esta ocupa parte do piso térreo e do 1º andar e pode encontrar-se neste local o conjunto de cerca de 1200 livros que pertenceram a Fernando Pessoa, através dos quais ficou claro o interesse/paixão por diferentes temáticas: astrologia, matemática, medicina, filosofia, sociologia, psicologia, genética, literatura...
Ainda na biblioteca encontram-se mais dois objetos que revelam interesse relativamente à vida do poeta, são eles o “Retrato de Fernando Pessoa”, pintado por José de Almada Negreiros em 1954 e a máquina de escrever que pertenceu a um dos escritórios onde Pessoa trabalhou como tradutor e na qual foram escritos maior parte dos poemas do seu heterónimo Álvaro de Campos.
É também uma característica de Fernando Pessoa, o facto de andar sempre com um pedaço de papel e uma caneta no bolso, para, no caso de ocorrer algo na sua mente, poder logo transpor para o papel. Como tal, foram encontradas várias notas deste poeta, em cadernos, e até mesmo, em panfletos e folhas soltas.
Por fim, é passível de se salientar o ‘uniforme’ regular de Fernando Pessoa, constituído por um fato negro, um chapéu igualmente negro e óculos.
3. Sua relação com fundamentos de pesquisa
A biografia de Fernando Pessoa presente no manual afirma que este escreve duas categorias de obras: as ortónimas e as heterónimas (obra escrita por personalidades criadas pelo próprio poeta e cada uma com consciência, ideias e sentimentos diferentes entre si e do seu criador). Os heterónimos mais conhecidos são Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.
Ora, na biblioteca estão armazenadas inúmeras obras ortónimas e heterónimas de Fernando Pessoa, o que leva a que seja, assim, reconhecida grande quantidade e diversidade de eus criados por Pessoa.
No quarto verificou-se a existências de elementos alusivos à temática do mar, que captaram a atenção dos estudantes e mais uma vez permitiram relembrar a importância da heteronímia pessoana, devido ao facto de esta temática estar relacionada com a Ode Marítima de Álvaro de Campos, um dos heterónimos pessoanos.
Para além de tudo isto, estava também em exposição um bloco de notas que continha informações pessoais, escritas por Fernando Pessoa, relativas à vida de Álvaro de Campos, levando outra vez à verificação da necessidade de transmitir as suas ideias e opiniões através de outras individualidades.
4. Apresentação de conclusões
“Não conheço vida de escritor que tenha sido tão falhada; e também nenhuma conheço que tenha sido tão transfigurada pela arte.”
Robert Bréchon in Estranho Estrangeiro. Uma biografia de Fernando Pessoa
Fernando Pessoa foi um escritor e poeta português que exerceu um papel importante no Modernismo português. A sua vida observada de uma forma externa caracterizava-se por ser solitária, pacata, contrastava em grande parte com a vida poética do poeta, devido à sua necessidade de criação de novas personalidades para se conseguir expressar em pleno.
Os últimos anos da vida de Pessoa foram vividos com uma grande tristeza e angústia, pois apercebeu-se que não teria havido qualquer realização dos seus projetos intelectuais (tal como Robert Bréchon afirma «Não conheço vida de escritor que tenha sido tão falhada; (…)»). De certo modo os seus projetos poderiam ser excessivos de mais, ma o certo é que este sentimento de falhanço se apoderou da vida do poeta, levando-o a um enorme estado de desespero. Em vida apenas viu ser publicadas três das suas obras, sendo apenas uma em português: Mensagem.
Hoje em dia, o seu talento é finalmente reconhecido, embora uma grande parte do seu grandioso legado literário ainda não esteja catalogada e parte das suas obras ainda não tenha sido publicada, e é considerado um dos expoentes máximos do modernismo do século XX.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Ilhéus Para Sempre

No dia 17 de julho, pelas 18 45 h, o espaço da biblioteca da escola Anselmo de Andrade foi palco do lançamento de um livro da autoria de Luís Mendonça, professor efetivo da nossa escola.
Trata-se de um romance histórico "Ilhéus para Sempre", que procura, através do percurso de uma família da ilha do Pico (Açores) ao longo do séc. XVIII, deixar um quadro da época nos mais variados aspetos (económico, social, mental, etc). Dá, igualmente, particular relevância à Grande Migração Açoriana para Sta. Catarina em meados do século e às expetativas, sonhos e desilusões que a acompanharam.
 
Segundo o autor, o trabalho em causa poderá constituir um modesto contributo para uma maior valorização, no contexto açoriano, de um género "histórico-literário" que começa a estar bastante em voga no panorama editorial atual (o romance histórico). E isto, não por uma questão de moda, mas por estar profundamente convencido de que o romance histórico poderá ser um precioso complemento em relação à história convencional, uma vez que, sem desvirtuar a verdade, permite ao autor uma maior liberdade na narrativa e no preenchimento das lacunas com que o historiador normalmente se depara. E, como muito bem observou um dos participantes no referido lançamento, o romance histórico poderá conquistar uma larga faixa de leitores por norma pouco motivados para a área da história.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

José Saramago (1922-2010)


No passado dia 18 de Junho faleceu o cidadão português José Saramago (link para a Wikipédia). Galardoado com o Prémio Nobel da Literatura no ano de 1998, este escritor tornou-se uma espécie de herói nacional. A projecção internacional da sua obra em muito contribuiu para que o reconhecimento das suas extraordinárias qualidades crescesse também no nosso país.

"O Memorial do Convento" é um dos seus livros mais celebrados e faz parte das leituras obrigatórias no programa da disciplina de Língua Portuguesa do 12º ano de escolaridade.

A história da vida de Saramago é um exemplo para todas as gerações futuras (ver vídeo).

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Últimas páginas


Realiza-se hoje, pelas 14H 30m, a última sessão de "A Páginas Tantas", a tertúlia literária organizada pela Oficina de Leitura e Escrita em colaboração com a Biblioteca Escolar.

Leituras, apresentação de livros, troca de ideias em ambiente de grande descontracção, têm sido características constantes das sessões anteriores.

É na Biblioteca da Escola Secundária Anselmo de Andrade.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Os dias da Poesia – 18 a 26 Março


Vamos festejar a POESIA com:

- Encontro com o poeta Américo Morgado – 22 de Março às 9:00 na Biblioteca
- Leituras poéticas – turmas de 5º ano (por alunos do 7º A e 7º D e professoras Isabel Amaro e Eveline Monteiro)

- A Poesia bate à porta:

Leituras dramatizadas em diversos espaços da escola (por Fernando Tomaz e Sophie Mishra)

- “Batem leve, levezinho…” - 10º F; Prof. Paulo Vieira e Ana Albano

Porque… como diz o poeta António Gedeão:

“Todo o tempo é de poesia
Desde a arrumação do caos
à confusão da harmonia”

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Fernando Pessoa e a procura do ser



Já na antiguidade clássica, ou mesmo antes, o homem procurava respostas inequívocas e, ainda hoje, continua a perseguir um objectivo que parece inalcançável: quem somos e de que modo devemos encarar a vida?
Fernando Pessoa é a prova do histerismo interior de um homem que procurava verdades, que sentia sofrimento em ser racional. “Sou hoje o ponto de reunião de uma pequena humanidade só minha”, o próprio poeta admite a sua despersonalização, a utilização da heteronímia, quem sabe para solucionar a imperfeição de ser humano.
Álvaro de Campos reflecte a sua visão do mundo moderno, a necessidade de sentir, de ser “tudo e todos”, de se embrenhar num mundo onde predomina a máquina e a tecnologia. Por sua vez, Ricardo Reis propõe um estilo de vida epicurista e estóica, o dia deve ser vivido com calma e tranquilidade, recusando prazeres violentos, já que o nosso fim é inevitável. Sendo assim, o sofrimento e as emoções fortes são um desperdício de tempo pois podemos morrer a qualquer momento. Surge, ainda, Alberto Caeiro, o mestre de todos os heterónimos ou simplesmente a solução para a dúvida da existência: devemos SER, recusando o pensamento, pois a verdade é o que se vê, e a natureza é a prova disso. Um homem que promove a “desculturalização” poderá ser o mestre de todos os outros?
A recusa da procura de respostas foi para Fernando Pessoa o caminho para a felicidade. No entanto, apenas uma parte de si (Alberto Caeiro) conseguia viver deste modo, continuando os restantes segmentos (Ricardo Reis; Álvaro de Campos) imperfeitos.
Em suma, a heteronímia em Pessoa é o reflexo das incertezas humanas, das tentativas de solucionar questões que serão sempre inalcançáveis mas que o homem irá procurar, inevitavelmente, ao longo dos tempos, de uma forma incondicional.



Inês André, 12ºA

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Biblioteca de bolso






A Amazon (a maior empresa de venda de livros online) não dorme em serviço. Está anunciado o lançamento no mercado internacional do Kindle, um dispositivo que permite armazenar e ler livros ou outros documentos em formato electrónico.

Portugal é um dos 100 países onde o Kindle será comercializado podendo ser adquirido através de encomendas feitas no site da Amazon. As encomendas podem ser feitas a partir de hoje embora a distribuição do produto esteja prevista apenas a partir de 19 de Outubro .

De momento os títulos disponíveis para download são todos em inglês mas não deverá levar muito tempo até que surjam livros noutras línguas. Livros? Mas... poderemos continuar a chamar livros ao que aí vem?

O suporte e o formato dos documentos escritos pouco variou ao longo dos séculos. Placas de barro, papiro, rolos, pergaminhos, os sumptuosos códices medievais até que, com os livrinhos em papel, parecia que a humanidade havia encontrado o suporte ideal para transmitir e guardar para a posteridade todo o tipo de obra literária e pensamento profundo. Mas o futuro é sempre surpreendente e, quando damos conta, o futuro foi ontem!

Quando o Kindle (ou algum parente dele) fizer parte do nosso quotidiano como fazem o café pela manhã ou o beijo de boas-noites, muita coisa terá mudado. O papel tenderá a desaparecer de circulação enquanto suporte de informação escrita, as estantes irão sendo cada vez mais obsoletas e as profissões ligadas às artes gráficas serão uma coisa radicalmente diferente daquilo que são hoje.

Mais tarde ou mais cedo o Kindle (ou algo parecido) irá conquistar o mercado, tornando-se uma coisa banal e de uso permanente. Quando isso acontecer será um daqueles dias em que ontem já faz parte do futuro.




segue as hiperligações

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O século de ouro da Literatura e outras divagações

O mapa do tesouro


Durante o ano lectivo que agora termina, tive o privilégio de conversar com várias colegas sobre um tema que me é caro: a Literatura. Dividiu-nos a questão de haver ou não uma época (ou século) de ouro da Literatura e, em caso afirmativo, qual. A questão ficará sempre em aberto e assim é que tem piada. No entanto, eis a minha defesa – sinuosa – do século XIX como o período mais fecundo da Literatura.
Adoro um pequeno livro intitulado Barbárie da Ignorância (meu Deus, havia tanto para dizer acerca da ignorância e dos bárbaros modernos e cinzentos, vorazes e colocados nos lugares mais insuspeitos, escolas incluídas…), onde George Steiner, professor de Literatura Comparada na Universidade de Genebra e professor honorário do Churchill College da Universidade de Cambridge, sob a forma de entrevistas, partilha connosco o seu pensamento. Adoro-o porque concordo com o que Steiner defende, claro está. E o que diz Steiner? Entre outras coisas, que o século XIX é de facto o apogeu da Literatura. Mas, afinal, pergunto eu uma e outra vez, em que outro século é que encontramos uma tão grande colecção de pesos pesados vencedores de quaisquer super-prémios Nobel como no século XIX? Logo a abrir, Puchkine e, embora eu não seja grande apreciador de poesia (uma falha enorme, eu sei), adoro os seus contos. Neles mergulhamos de cabeça num mundo do qual muitos de nós ignoram tudo; o da outra Europa, a do Leste; cristã mas ortodoxa, com uma infinidade de diferenças em relação a nós, ocidentais… E depois Tolstoi, agora reeditado em Portugal com traduções competentíssimas, e o grande Dostoiévski. Não posso deixar a Rússia sem uma palavra para Turguéniev, hoje muito difícil de encontrar numa livraria, mas que no seu tempo chegou a vender mais que os conterrâneos atrás citados. À falta de Turguéniev, o autêntico, leia-se um magnífico livro escrito por Robert Dessaix, O Crepúsculo do Amor, que, além de ser uma biografia do autor russo, é também um livro de viagens pela grande mãe Rússia, passada e presente. Tudo escrito por um australiano que em plena Guerra Fria cismava em ir estudar para a União Soviética.
E depois há Sthendal, a inaugurar o Romantismo com Armance, há Oscar Wilde (como não gostar de O retrato de Dorian Gray?) e o seu humor fino, a escrever contos arrebatadores com o tamanho de uma página…
Numa divisão mais abaixo (futebolês num artigo pretensioso!) encontramos Robert Louis Stevenson e a maravilhosa Ilha do Tesouro ou A Flecha Negra, que os adolescentes já não lêem, e Arthur Conan Doyle e o mais famoso detective do mundo, entre outros.
Quanto aos Portugueses, que tal Camilo Castelo Branco e A queda de um Anjo? Muito divertido e muito actual. Os políticos cá da casa não mudaram nada. Júlio Dinis e As Pupilas do Senhor Reitor… tudo menos um livro aborrecido. Estou a puxar a brasa às sardinhas que mais gosto, eu sei. Perdoem-me as sardinhas que ficaram de fora mas eu não leio muitos autores portugueses (por ser uma vergonha, guardo este segredo).
Continuando… Goethe (eu sei que nasceu no século XVIII mas Fausto pertence ao XIX), Eça de Queiroz, Almeida Garrett, Edgar Alan Poe e as suas muitas “histórias extraordinárias”, Mark Twain e Tom Sawyer, Rudyard Kipling (mestre do conto curto, prémio Nobel de 1907, mas com o grosso da obra publicada no século anterior, não estou a fazer batota), H. G. Wells com as quatro obras decisivas escritas antes de 1900, Bram Stocker e Drácula, enfim, a lista é grande, em todos os sentidos. Não é necessário alongar-me porque já vos convenci!
Steiner diz que um clássico é uma obra, neste caso um livro, que lemos e relemos e voltamos a ler, à medida que os anos passam. São obras que se permanecem actuais. De Goethe a Tolstoi, quase todos os autores do século XIX continuam frescos, não corroídos pelo tempo. Enfim, não é necessário alongar-me mais. Viva a Literatura do século XIX! Defensores da Literatura do século XX ou da de qualquer outro tempo, erguei-vos! Antes ou depois das férias.

Ps: não resisto: para os que nunca deram uma oportunidade a Dostoiévski por o julgarem pesadão (de facto o homem tinha um aspecto pesado), sempre debruçado sobre as grandes questões/fraquezas da Humanidade para as quais muitas vezes não temos pachorra, procurem por A aldeia de Stepantchikovo e os seus habitantes ou por Um sonho do tio. Deliciosos, mordazes e divertidos.
Orlando Lourenço

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Livros recomendáveis (a História da 2ª guerra está na moda!?)

link para a foto aqui, o texto da legenda não é brilhante mas fornece uma perspectiva curiosa.



A Segunda Guerra Mundial, a Literatura e os adolescentes


«A Segunda Guerra Mundial está na moda entre os adolescentes europeus». Quem o diz é o historiador Antony Beevor, autor dos best sellers (e multi-premiados), A Queda de Berlim e Estalinegrado, obras de rigor histórico que se lêem como se de romances se tratassem – daí o seu sucesso. O ano de 2007 parece provar a afirmação do historiador britânico e, pelos vistos, não são só os adolescentes que (re)descobriram o grande conflito mundial. De facto, o tema está longe de se ter esgotado, como o demonstra a edição dos romances que de seguida se referem e que, ao invés de repetirem o que já foi escrito e rescrito, acrescentam algo de novo.
“O Rapaz do Pijama às Riscas”, obra comovente em que o autor, John Boyne, dá a conhecer o Holocausto aos mais novos através de duas personagens: uma judia e outra alemã. Em comum têm o facto de serem crianças. A separá-los, a raça e o arame farpado. É a primeira vez que se tenta uma abordagem deste género. A história é contada com uma simplicidade e ingenuidade desarmantes. Afinal, vemos Auschwitz (Acho-Vil para o pequeno Bruno, filho do comandante do campo de extermínio) pelos olhos de uma criança de nove anos. O final é de fazer chorar. Um livro a ter em conta pelos alunos do 9º ano (conheço alguns que o leram no ano lectivo anterior e gostaram bastante).
Segue-se “Tamar”, de Mal Peet, outro romance original no tema: a Resistência na Holanda e o Inverno da Fome. Vencedor da Carnegie Medal, lê-se de um fôlego e não nos incomoda, diga-mos assim, como “O Rapaz do Pijama às Riscas”, embora Peet crie uma atmosfera de tensão que nos dá uma ideia do modo como viviam (leia-se sobreviviam) os resistentes sob a brutal ocupação nazi.
E o que dizer de “As Gémeas”, de Tessa de Loo, uma holandesa que reside no Algarve e que produziu esta espantosa história em 1993 mas que só o ano passado foi publicada entre nós? Nesta obra, que inspirou um filme homónimo nomeado para um Óscar, acompanhamos a história de duas gémeas alemãs que viram a guerra de duas perspectivas diferentes: separadas muito novas, uma passou pela guerra como holandesa, a outra como alemã. Uma perspectiva diferente que nos mostra que entre os Alemães também houve vítimas.
Por último, “As Benevolentes”, de Jonathan Littell, obra terrível, sombria, provocadora e perturbadora, dá-nos uma visão crua do Holocausto e do nazismo em geral. Vemos a maior barbaridade da História pelos olhos de um nazi invulgar e que passadas muitas décadas não está minimamente arrependido. Vencedor do Prémio Goncourt, provocou um autêntico terramoto em todos os países onde já foi publicado. O escritor Jorge Semprún considerou-o o livro da década.
Conclusão, a Segunda Guerra Mundial vai continuar a dar que falar e não só aos alunos e professores de História. Para terminar, deixo esta frase retirada de “As Gémeas” que resume de um modo magnífico a monstruosidade nazi: «Voltava a haver uma estrutura, uma estrutura que tinha a cor do milho e do céu no Verão (…).» O problema, claro, estava reservado para quem não fosse loiro e não tivesse os olhos azuis.

“O Rapaz do Pijama às Riscas”, John Boyne, Edições ASA, 2007, 176 páginas.
“Tamar”, Mal Peet, Gailivro, 2007, 430 páginas.
“As Gémeas”, Tessa de Loo, Quetzal Editores, 2007, 395 páginas.
“As Benevolentes”, Jonathan Littell, Dom Quixote, 2007, 884 páginas que se lêem obsessivamente.



Orlando Lourenço, professor de História.
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