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sexta-feira, 25 de março de 2011

[RE]usa, projectar o fim do lixo

O grupo [RE]usa é formando por três elementos, dois dos quais foram alunos de artes da escola (o Ivan e o Ricardo), é um projecto que se dedica à problemática da reutilização do lixo, na perspectiva de uma funcionalidade atualizada e criativa.

Partindo de objectos que perdem a capacidade de funcionar de acordo com as perspectivas dos seus utilizadores, propõem o repensar dessas formas/estruturas materiais e a sua atualização funcional e estética. O objetivo mais amplo será mobilizar o esforço coletivo para refletir sobre a natureza da nossa sociedade de consumo e a possibilidade de diminuir a carga negativa do lixo produzido "naturalmente", aproveitando o facto de existirem materiais já transformados dos quais nos podemos aproveitar para renovar o nosso parque de objectos.

Na ação, o [RE]usa explicou o projeto, através da apresentação de objetos [RE]construídos. Uns ganharam novas possibilidades de utilização mantendo a estrutura base e outros foram acoplados a novos componentes transformando-se em objetos diferentes.

Discutiram-se questões ligadas ao ambiente, à poupança de recursos, à ideia de funcionalidade e identidade dos objetos, à ação inventiva sobre os materiais e estruturas existentes na "cultura material" na perspetiva de os atualizar e ampliar as suas capacidades funcionais, adaptando-os a novas necessidades e à individualidade dos utilizadores.
A temática é importante para os futuros técnicos que irão trabalhar na produção que atualizará o nosso mundo técnico. Por isso estiveram presentes alunos de artes e de ciências, duas das componentes do projeto e produção.

Esta iniciativa será retomada no próximo ano letivo, com a experimentação de reutilizar objetos considerados obsoletos e pouco maleáveis nas capacidades de utilização.

Luís Miranda

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Dia da Mulher



No passado dia 11, a propósito de mais um Dia Internacional da Mulher (8 de Março), esteve presente na nossa escola a Dra. Manuela Tavares, pertencente à Direcção da UMAR e Mestre em Estudos sobre as Mulheres, área de estudos com longa tradição na comunidade anglo-saxónica mas recente em Portugal. Após uma apresentação que resumiu a história dos movimentos de libertação feminina, das sufragistas (as primeiras mulheres a lutarem pelo direito ao voto) à polémica e julgamento das “Três Marias” das Novas Cartas Portuguesas (Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta), a oradora prestou-se à discussão sobre os “progressos” na valorização, autonomia e desempenho das mulheres na sociedade contemporânea. Desse “debate”, amplamente participado pelas turmas presentes, releva-se a explicitação da reaccionária confusão entre feminismo e machismo. E surgiram então diversos esclarecimentos sobre outros barbarismos ainda hoje cometidos quando se fala de mulheres, do seu estatuto e performance social.
Tal como os Mestrados, Licenciaturas e outros estudos na área das Mulheres só num passado recente afloraram o debate mediático e a vida académica, três décadas após o 25 de Abril, também ainda muito falta fazer para que a maioria da população não continue a ser tratada como uma minoria menosprezada. De salários inferiores aos seus congéneres masculinos, passando pelos índices de violência doméstica, o tempo parece não ter passado pelas nossas mentalidades. Mesmo escrito em letra de Lei, a condição inferior estatutária da Mulher é, facilmente, comprovável. Se não, vejamos: as últimas estatísticas sobre a violência a que as nossas crianças são submetidas através dos meios de comunicação social dizem-nos que a cada minuto é difundida uma agressão ou uma violação exercidas sobre uma mulher. Sabemos também que a maioria dos licenciados a sair das universidades são mulheres mas que os que conseguem o primeiro emprego não o são. E, com todos os movimentos a favor das quotas, que se sabe do número de mulheres a fazer política: reduzido!
Por último, enquanto filho de uma mulher, marido de uma mulher, pai de uma mulher e professor de uma turma exclusivamente constituída por alunas, creio poder transmitir uma ideia que me afronta: as mulheres são as suas próprias inimigas. Tenho por experiência que, nos dias de hoje, às mulheres, o que mais as assusta é a solidão. Na minha juventude fazia-se a apologia da independência feminina; escapar ao jugo de um marido, às tarefas de uma dona de casa, eram ambições generalizadas entre as raparigas minhas colegas e amigas mesmo que implicasse uma vida de “solteirona”, estabelecendo-se como prioridade a obtenção de uma boa valorização académica ou profissional que permitisse a não dependência. Hoje hipoteca-se a liberdade pelo preço de um amor idealizado pelas “más” revistas cor-de-rosa ou pelas MTV’wc’s da sexualidade dos implantes e do botox. Por uma companhia masculina, cada vez mais escassa, as mulheres deixam-se humilhar, vexar e dominar. Que dizer de uma rapariga de 18 anos que não vai ao baile de finalistas porque o namorado não a deixa ir com determinado vestido? Como se podem deixar escravizar emocionalmente, estas jovens, apenas para não se deitarem sozinhas? Todo o universo conspira contra aquelas que não se apresentam com macho pelo braço! As próprias compatriotas segregam aquelas que já tiveram “muitos” namorados mas não o fazem em relação aos rapazes. Para elas sinónimo de mau comportamento; para eles sinónimo de experiência enriquecedora… uma vez mais se comprova que a passagem do tempo não implica mudança de mentalidades. Muito há ainda por fazer. E quando cheguei àquele debate e me pareceu que o que se diria seria anacrónico e redundante, constatei o quanto faz falta ilustrar estas mentes cada vez mais deseducadas pelas net’s, msn’s, mms e afins… tanta informação globalizada e tanta estupidez generalizada!

04/04/2008 Paulo Ferreira