quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Aos comentadores anónimos




O JA'' solicita a todos os comentadores anónimos que assumam as suas opiniões e passem a assinar os comentários que aqui vão deixando. Sejam positivos ou negativos.


Caso continuem a surgir comentários tão ordinários como o que foi apagado hoje (a maioria dos que estão a ler isto não sabem ao que me refiro e ainda bem) o JA'' ver-se-à obrigado a alterar o modo de gestão dos comentários.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Concerto de Natal




COROS


ANSELMO


USALMA


MUSICENTRO


DOMINGO, 20 DE DEZEMBRO
ÀS 18,00 HORAS


IGREJA DO SEMINÁRIO DE S. PAULO ALMADA

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Estes dias sem fim


Hoje é o dia, é um dia especial. Está a chover – e finalmente – vou sair deste bengaleiro horroroso! Estive três meses a ser segurado por este objecto estúpido que não serve para mais nada do que pendurar casacos e malas, nem para me fazer companhia é útil. Estar suspenso por este bengaleiro é o mesmo que estar só; mergulhei numa solidão profunda.
Vou sair para a rua e sentir as gotas da chuva a caírem sobre mim. A Mariana – que foi quem me comprou – vai finalmente poder saltar nas poças de água. Ela está feliz, eu estou feliz.
Foi há quase um ano que combinei com a Camélia (que, para quem não sabe, é a minha melhor amiga é uma gotinha que me faz imensa companhia) que nos encontraríamos naquele local àquela hora.
A Mariana acabou de acordar é só o tempo de ela se arranjar e já estamos lá fora!
Adoro esta sensação: as gotas de chuva a tocarem na minha cabeça – quase que me tiram o cheiro a mofo que adquiri durante o tempo que estive naquele maldito bengaleiro.
Não há crianças na rua, os escorregas e os baloiços estão molhados; não há pessoas na enorme e barulhenta esplanada da D. Rosa; os carros passam e molham tudo e todos à sua volta… Estamos num pleno dia de Inverno e eu adoro sentir-me assim!
A Mariana salta de poça em poça com as suas galochas rosa choque, e eu, mais uma vez, acompanho-a nas suas aventuras. Ambos sabemos que depois disto ela vai ficar doente, mas a alegria apodera-se de nós e hoje não existe nada que nos impeça de nos divertirmos.
Após duas horas de saltos e de gargalhadas caminhamos juntos em direcção à nossa casa. A Camélia não apareceu, contudo não estou surpreendido, e sei que um dia destes ela vai fazer-me (nos) uma visita.
Acabámos de chegar a casa e a Mariana espirra. Estamos encharcados em água. A mãe dela dá-lhe um ralhete e diz que vem aí uma constipação.
Depois do jantar, vamos para o quarto. A Mariana deita-se e eu fico a cuidar dela. Começamos a ouvir a chuva a bater na janela – ambos adoramos este som. Em breve, adormeceremos embalados com esta melodia natural que tanto nos encanta. Boa noite, dorme bem, Mariana.

Cláudia Mota Silva, nº 12, 9º E

Este texto resulta de uma experiência feita pelo mestrando António Peixoto sobre a escrita criativa.

Prémio Nobel da Medicina 2009




No passado dia 5 de Outubro foi atribuído a três investigadores norte-americanos o Nobel da Medicina pelo o seu trabalho desenvolvido na área da protecção dos cromossomas, envolvendo os telómeros. Elizabeth H. Blackburn, Carol W. Greider e Jack W. Szostak partilharam a honra e orgulho ao receber o galardão.
"Este ano, o prémio Nobel da Medicina foi atribuído aos três cientistas que descobriram a solução para um grande problema da biologia: como os cromossomas podem ser inteiramente copiados durante a divisão celular e como eles se protegem contra a degradação" foram estas as palavras da academia ao premiar os investigadores.
Os telómeros são estruturas constituídas por fileiras repetitivas de proteínas e DNA não codificante que formam as extremidades dos cromossomas. A sua principal função é manter a estabilidade estrutural do cromossoma. Os telómeros estão presentes principalmente em células eucarióticas,isto é, com núcleo individualizado.
Cada vez que acontece a divisão celular os telómeros encurtam, e visto que não se regeneram, atinge-se um ponto em que deixa de ser possível a replicação dos cromossomas (conhecido por limite de Hayflick, em honra do investigador que fez a descoberta) e a célula perde o poder de se dividir, portanto morre sem haver uma nova célula para a substituir. O comprimento dos telómeros irá também influenciar o número de vezes que a célula se pode dividir. Daí chamar-se aos telómeros relógios biológicos, pois são capazes de dizer a expectativa de vida de um ser humano pelo seu comprimento.
A telomerase é uma enzima que adiciona sequências repetidas de DNA aos telómeros, impedindo assim a degradação dos cromossomas.
Esta reparação é necessária devido ao chamado “end replication problem”. O fenómeno referido ocorre durante a replicação do DNA. As enzimas responsáveis pela replicação semi-conservativa apenas sintetizam DNA adicionando nucleótidos na direcção 5’→3’.A replicação do DNA ocorre devido a DNApolimerases e a RNA iniciadores. Nos cromossomas uma das cadeias é completamente copiada, enquanto outra não é totalmente copiada até ao fim. Uma pequena região da extremidade 3’ dessa cadeia é perdida.
A telomerase corrige essa perda. Esta enzima é uma transcriptase reversa, uma vez que sintetiza DNA por complementaridade em relação a uma cadeia de RNA que possui. Assim a telomerase é constituída por uma proteína (a TERT) e por uma molécula de RNA (chamada TERC).
Este complexo ribonucleoproteico adiciona a sequência TTAGGG repetidamente à ponta 3’ da cadeia. O TERC apresenta a sequência CAAUCCCAAUC. Assim a telomerase “encontra” a zona correcta do cromossoma utilizando o TERC e sintetiza DNA a partir desse molde. Desta forma os segmentos de material genético perdidos durante a mitose são substituídos.
Mas a telomerase não se encontra em concentrações idênticas em todas as células do corpo. A quantidade de telomerase é maior nas células sexuais, nos glóbulos brancos do sistema imunitário, nas células estaminais e nas células cancerígenas. As restantes células somáticas apresentam concentrações baixas dessa enzima.
Já sabemos que o comprimento dos telómeros influencia o número de vezes que as células se podem dividir. Se a telomerase impede o encurtamento dos telómeros, então as células onde esta está presente em quantidades consideráveis irão dividir-se quase ilimitadamente. Por outro lado as células com menos concentrações de telomerase irão eventualmente entrar em senescência, pois os telómeros dos cromossomas presentes no seu núcleo foram encurtados ao ponto de atingirem o limite de Hayflick.
Os investigadores galardoados abriram caminho para a cura de doenças fatais utilizando esta enzima. Esta investigação pode pôr um fim a doenças como o cancro no presente e no futuro até pode “rejuvenescer o nosso corpo”. Como é que isto é possível? Estudos clínicos confirmam que 90% dos tumores expressam telomerase, o que torna o diagnóstico muito mais fácil. Além disso já há avanços científicos que consistem em vacinas que inibem a acção da telomerase que, eventualmente, pode inibir a proliferação de células tumorais.
Quanto ao “rejuvenescer” o corpo, se os telómeros não ficam mais curtos, então as células não entram em senescência, aumentando a esperança de vida. Mas pensa-se que em troca de uma maior longevidade o preço a pagar será uma elevada probabilidade de ter cancro. Por isso ainda terá de ser feita muita pesquisa em relação a esta aplicação da telomerase.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Telomerase
http://en.wikipedia.org/wiki/Telomerase
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=35611&op=all
http://www.medicinageriatrica.com.br/2006/12/28/saude-geriatria/teorias-do-envelhecimento-celular/
http://en.wikipedia.org/wiki/Telomere
http://nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/2009/


Ana Sofia
Ana Teresa

11º B

A propósito da comemoração dos 150 anos da publicação da obra “A origem das espécies”, de Charles Darwin…





Chimpanzés e seres humanos partilham 99 por cento do seu património genético.
Surpreendido(a)?

Em 2002, uma equipa de cientistas comparou a actividade dos genes, nomeadamente no cérebro, fígado e sangue de chimpanzés e humanos, estabelecendo que os tecidos de ambos eram muito semelhantes, mas que o cérebro humano apresentava cinco vezes mais actividade genética que o do macaco.

Os chimpanzés estão mais próximos dos humanos do que qualquer outro primata. Pensa-se que os dois deverão ter partilhado um parente ancestral há cerca de cinco a sete milhões de anos, apesar de não se saber muito bem qual terá sido o aspecto desse antigo primata comum.
A partir daí, os dois evoluíram separadamente e os humanos desenvolveram um cérebro de dimensão duas vezes superior à dos chimpanzés.

A comparação dos genomas do homem e do chimpanzé sugere que a fala humana resultou de uma divergência genética que afectou a audição, o que não aconteceu com o chimpanzé. Este estudo comparativo do património genético do homem e do chimpanzé, mostra que certos processos, como a audição e o olfacto, evoluíram mais rapidamente nos seres humanos, segundo trabalhos publicados pela revista Science em 2003.

Foi recentemente publicado um estudo na Proceedings of the National Academy of Sciences» e citado pelo «Science Daily» que tenta explicar porque é que um chimpanzé não é um humano, apesar da significativa partilha de genes entre ambos.

A diferença cognitiva entre um humano e um chimpanzé não está nos seus genes mas sim em como se servem deles. Na verdade, as espécies geram proteínas que funcionam de forma muito diferente e que contribuem para criar um cérebro mais activo e melhor interligado nos humanos.Já se sabia que os genes, por si só, não podem explicar as diferenças entre as duas espécies. Este estudo revela que as grandes diferenças na actividade genética dos seres humanos e dos chimpanzés, afectando aproximadamente 1000 genes, está ligada à acção de 90 factores de transcrição.

Os factores de transcrição são proteínas que se ligam a regiões específicas do DNA para promover ou reprimir a actividade de vários genes. Isso permite a determinados órgãos ou tecidos responder rapidamente a uma mudança ambiental ou a uma necessidade interna.

Foram feitas análises ao tecido extraído do cérebro de seis humanos e de cinco chimpanzés. Concluiu-se que os factores de transcrição são produzidos com os mesmos genes mas a sua aplicação é, de facto, diferente.
A acção destas proteínas agrupa-se em dois módulos.
A acção conjunta dos factores nos humanos faz com que ambos os módulos estejam mais activos nestes do que nos chimpanzés.
Os resultados podem explicar a origem molecular de diferenças cerebrais entre as duas espécies.

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=37790&op=all

Vê o vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=a8yqQcsZ0O8
Mais de 98% de nosso código genético é idêntico ao de um chimpanzé(nosso parente mais próximo). Esses menos de 2% é o que difere entre ficar explorar um cupinzeiro e explorar o universo. Na parte 1, 2 e 3 veja alguns testes mostrando as semelhanças e diferenças que temos com os símios, e comece a entender o que na verdade nos difere deles, teste como "memória", "bondade", "cooperação", "resolução de problemas","alto-reconhecimento" entre outros. Nas partes 4 e 5 entenda como provavelmente ocorreu essa separação, em que momento da historia isso deve ter ocorrido, o que mudou entre nossas características e o que levou a essas mudanças."Quem disse que precisamos crer que somos a imagem e semelhança de um criador cósmico para nos sentirmos especiais?"Wellton Araujo Pinto
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Pofessora Emiltina Matos

Solidariedade e ajuda


Somos alunos do grupo de «Voluntariado» do 12ºC, no âmbito da disciplina de Área de Projecto e estamos a promover uma angariação de fundos e bens a favor da AMI e do Canil da Aroeira. Já afixámos cartazes, distribuimos folhetos e fizemos correr um comunicado pelas turmas. A angariação decorre de 14 a 18 de Dezembro, na Sala dos Alunos da Escola Secundária Anselmo de Andrade e pretendemos recolher roupas, calçado, enlatados, ração, ancinhos, pás, toalhas, cobertores, medicamentos, brinquedos, tijelas, trelas/coleiras, desparasitantes...

Novo blogue




Este blog é um dos produtos finais do nosso projecto, satisfazendo o objectivo de divulgar as pilhas electroquímicas, e simultaneamente dando uma maior clareza ao projecto. Assim, ao longo do ano lectivo serão expostas várias pilhas, sendo explicado o seu funcionamento, o procedimento da sua montagem e conclusões da nossa experiência da sua construção. No final do ano lectivo será exposta uma comparação das pilhas, com o intuito de responder à questão "Qual das pilhas electroquímicas de fácil construção é mais eficiente, tendo em conta a produção de energia eléctrica?".
O blog pode também funcionar como um meio de estudo para a disciplina de Química do 12º ano, visto que este tema faz parte do plano curricular de estudos, servindo para esclarecimento de dúvidas ou para, pura e simplesmente, satisfazer a curiosidade.
(texto do primeiro post do Blogue que passa a estar disponível na sidebar)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Atenção Anselmo!




A notícia é discreta; "Chove em escola com obras da Parque Escolar" (ler aqui,aqui e aqui). Os factos relatados estão relacionados com as obras realizadas na Escola Secundária de Gil Vicente em Lisboa no âmbito do programa de modernização de escolas do ensino secundário promovido pelo governo e supervisionado pela Concursos Públicos, Parque Escolar E.P.E., empresa responsável pela concretização do referido programa.


Apesar de ainda não estarem terminadas todas as obras de modernização nesta escola (iniciadas em Julho de 2008) a parte considerada concluída foi posta à disposição da comunidade educativa. Após 15 dias de utilização dos equipamentos "beneficiados" a avaliação feita pelos utentes não podia ser mais negativa.


Num parecer assinado pelos titulares dos principais órgãos de gestão da escola pode ler-se: "Com 15 dias de aulas, entra água em muitos pontos, abateu um tecto, as paredes estão já muito deterioradas, os pisos já destruídos, com portas e armários empenados". Os motivos para uma avaliação negativa da intervenção patrocinada pela Parque Escolar não se ficam por aqui mas, no essencial, servem de alerta para todas as escolas que, como a Secundária Anselmo de Andrade, aguardam o início deste tipo de obras nas suas instalações.


A anterior intervenção de que fomos "vítimas" nesta escola, concluída em 2007, mostra como os prejuízos de uma obra desleixada e mal dimensionada podem sobrepor-se aos benifícios esperados. Será do nosso interesse reflectir sobre a melhor forma de evitar que o Fado dos Desgraçadinhos volte a ser a música que nos vão cantar quando nos confrontarmos com as referidas obras de modernização que se anunciam para breve.


O maior problema do nosso regime democrático é a ineficácia das estruturas de supervisão e acompanhamento do funcionamento das instituições públicas. A culpa morre sempre solteira e ninguém assume os erros, por mais grosseiros e evidentes que eles sejam. Isto faz com que haja prejuízos impensáveis que se perpetuam e repetem em situações onde se poderiam perfeitamente evitar caso os responsáveis fossem chamados a responder pelas enormidades que se cometem perante a sua indiferença. Os casos de corrupção e má gestão da "coisa pública" são públicos e notórios, não vale a pena voltar a enumerá-los.


Atenção Anselmo, muita atenção. Em breve chegará a nossa vez. Temos de estar preparados para enfrentar o desafio de garantir que vamos habitar uma escola melhor e não ver desfazer-se esse sonho perante os nossos olhos, como está a acontecer com os nossos colegas da Escola Secundária de Gil Vicente.
Rui Silvares

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Leituras de Natal na Biblioteca

Sessão de leitura na Biblioteca pela Professora Gabriela Machado para alunos do 5ºano de escolaridade


E porque é Natal, este período brindámos as turmas de 5º ano com histórias que fazem parte do imaginário das crianças… e dos adultos. Esta iniciativa insere-se no trabalho de promoção da leitura que a Biblioteca tem vindo a desenvolver com os alunos do 2º ciclo.

O entusiasmo foi grande, ainda mais porque todos os alunos receberam uma prendinha – um livro oferecido pelo Ministério da Educação, no âmbito do Plano Nacional de Leitura.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A Mão do Diabo

Raymond Domenech, foto da Wikipédia


Apontamento a propósito do Dia Mundial da Luta Contra a Corrupção, 9 de Dezembro.


Surgiu hoje uma pequena notícia, meio escondida, no jornal desportivo Record, que dava conta do prémio que o treinador da selecção francesa de futebol ganhara, devido ao apuramento da França para a fase final do campeonato do mundo de futebol de 2010, na África do Sul. Raymond Domenech recebeu 800 mil euros por esse feito, extraordinário de certeza!

Mas tanto dinheiro a propósito de quê? O treinador não foi decisivo para o sucesso do grupo que orientou que, como sabemos, conseguiu a passagem à fase seguinte devido à actuação fraudulenta de um dos seus jogadores emblemáticos, Thierry Henry. Se alguém merecia o prémio seria seguramente o referido jogador que ultrapassou as limitações desportivas da sua equipa, jogando à margem das regras definidas, conseguindo enganar o árbitro e, com isso, afastar a Irlanda do Norte da competição. A não ser que faça parte das atribuições dos treinadores ensinar e fomentar as actuações faltosas e irregulares dos seus atletas. Nesse caso a choruda bonificação (que parece ter escandalizado um ministro francês) foi bem entregue, porque a fraude foi consumada na perfeição.

Jogando a bola com a mão sem que os árbitros o notassem, Henry permitiu que a sua equipa marcasse um golo decisivo. Foi uma prevaricação observada no momento por milhões de testemunhas, menos pelos que a poderiam sancionar no campo. Por outras palavras, na altura do engano o burlão foi desmascarado pelos burlados, frente a testemunhas mais que suficientes para confirmarem o caso, mas não foi visto pela polícia que o deixou impune. Posteriormente, através das imagens televisivas repetidas até à exaustão, toda a gente pôde confirmar o truque manhoso.

As estruturas supranacionais que controlam o futebol
profissional e que são supostas defender o desportivismo, a justiça desportiva, a igualdade entre todas as equipas, a transparência de actuações de todos os intervenientes e punir os infractores às regras do jogo, vão deixar passar em claro esta situação irregular. A França vai mesmo disputar a final do campeonato do mundo e nada do que a Irlanda do Norte possa fazer mudará esse facto.

Poder-se-ia dizer que se trata de um assunto do foro meramente desportivo, secundário. Sabemos que não é nada disso. O futebol é um indústria de divertimento que movimenta fortunas, emprega muita gente, é extremamente mediática. Manter as equipas é caro e todos os clubes e Federações esperam retorno dos investimentos feitos. Quem vai indemnizar a Irlanda do Norte pelos proventos perdidos? A França? A FIFA? A UEFA?

Por outro lado, as cumplicidades do futebol com a política são evidentes, ao ponto de se celebrarem os futebolistas como heróis e de se defender despudoradamente que os sucessos das selecções de futebol fazem elevar a autoestima das populações, utilizando-se o espectáculo desportivo como descompressão social e alívio de tensões mais crispadas. Os países enchem-se de bandeiras numa euforia mediatizada. Os jogadores atingem o estatuto de modelos, o que é uma evidente falsidade, mas os órgãos de poder (incluindo os mediáticos) agem como se o fossem, através do tratamento reverencial que lhes dão.

No caso que motivou este comprido comentário, que modelo pode ser Thierry Henry e os outros heróis do futebol? Que valores se veiculam e apreendem de todo este pântano e que podem ser imitados pelos cidadãos comuns? Evidentemente, o crime compensa mesmo nas barbas da autoridade, desde que esta não esteja atenta e ainda se é premiado pelas mais altas instâncias do poder, porque se valoriza o sucesso desprezando as regras sociais de convivência.

Portanto, se o aluno copiar nos testes, se conseguir que outros lhe façam os trabalhos, se pressionar os profs e os colegas na altura das avaliações, se os profs mantiverem rotinas ineficazes, actualizações pedagógicas e científicas deficientes, se a reforma do ensino for um conjunto de normas impraticáveis mas com aspecto modernaço, se os pais se alhearem de tudo isso, qual é o problema? Desde que se consiga não ser detectado e disfarçar o que não deveria ser aceite, até pode resultar em bom benefício.

Pode sempre haver uma mãozinha que ajeite as coisas...

Este tipo de corrupção é mais insidioso do que muitos dos que actualmente envolvem figuras públicas, porque não envolve um acto deliberado e previsto de troca de influências e de compra de favores. Estes podem-se resolver se as estruturas policiais e jurídicas funcionarem. A mão de Henry revela a incapacidade das estruturas do poder, as políticas, de actuarem sobre os seus próprios agentes, descomprometidamente, com sentido cívico e democrático. Mais do que a correcção dos actos, defende-se o domínio dos postos de comando e dos privilégios que lhes são inerentes.

Parece, portanto, que estaremos a lidar com a autocracia enquanto imaginamos viver numa Europa democrática, em que a eleição dos dirigentes políticos levaria a que as outras instituições de poder se regessem por práticas eticamente correctas.


foto de L Miranda


L Miranda