A Batalha de Essling, Maio de 1809, por Fernand-Anne Piestre CormonO drama de Staps decorre em 1809, após a sangrenta batalha de Essling – primeiro desaire napoleónico, um verdadeiro prenúncio dos anos seguintes. Friedrich Staps, movido pelo desejo de eliminar o homem que considera a fonte de todos os males que assolam a Europa, desloca-se a Schönbrunn, o Palácio Imperial Austríaco, onde decorre uma parada das tropas francesas. Aproxima-se de Napoleão mas é detido. Revistado – tinha consigo uma enorme faca de cozinha – afirma querer matar o Imperador. Informado, este manda chamá-lo. A conversa entre Staps e Napoleão foi presenciada por várias personalidades e traduzida pelo general Rapp, uma vez que o jovem mal falava Francês. Encontramo-la reproduzida em inúmeras obras, a partir do testemunho que o próprio Rapp nos deixou nas suas Memórias. Eis esse diálogo, reproduzido uma vez mais, entre o Imperador dos Franceses e o «fanático de Schönbrunn», no dizer daquele.
“Napoleão: Que quereis fazer com a vossa faca?
Staps: Matar-vos.
N: Sois louco, jovem; sois um iluminado.
S: Não sou louco. Não sei o que é um iluminado.
N: Então estais doente.
S: Não estou doente. Estou muito bem.
N: Porque me quereis matar?
S: Por que fazeis a infelicidade do meu país.
N: Fiz-vos algum mal?
S: Como a todos os Alemães!
N: Por quem haveis sido enviado? Quem vos impeliu a este crime?
S: Ninguém. Foi a intima convicção de que ao matar-vos presto o maior dos serviços ao meu país e à Europa, que me pôs as armas na mão.”
Napoleão convence-se de que está na presença de um louco e manda chamar o doutor Corvisart para tomar o pulso a Staps. Este não resiste e permanece calmo.
“S: Não é verdade que não estou nada doente?
C: O senhor está bem.
Staps para Napoleão: Eu bem vos havia dito!
N: Sois um exaltado e causais a perda da vossa família. Conceder-vos-ei a vida se pedirdes perdão do crime que haveis querido cometer e do qual vos deveis sentir envergonhado.
S: Não pretendo qualquer perdão. Sinto o mais profundo desgosto de o não ter conseguido!
N: Diabo! Parece que um crime nada é para vós!
S: Matar-vos não é um crime; é um dever!
N: De quem é o retrato que encontraram convosco?
S: É de uma jovem que eu amo…
N: Ela vai afligir-se com a vossa aventura!
S: Vai afligir-se por eu não ter sido bem sucedido. Ela odeia-vos tanto quanto eu!
N: Mas enfim, se eu vos perdoar, ficar-me-eis grato?
S: Não deixarei de vos matar por isso!”
Perante esta resposta, Napoleão, exasperado, mandou levar o jovem. O seu destino estava traçado. Friedrich Staps foi fuzilado no dia 17 de Outubro de 1809. Morreu a gritar “Viva a Liberdade! Viva a Alemanha! Morte ao seu tirano!” Quanto ao Imperador, não compreendeu ou não quis compreender o sinal dos tempos de que aquele rapaz era portador. Teve outros que também não seguiu. No leito de morte, poucos dias após a batalha de Essling, o marechal Lannes dissera-lhe: “Nunca serás mais forte do que eras, mas podes ser mais amado…” Como sabemos, Napoleão não seguiu este conselho e perdeu tudo.













