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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Leitura rápida

Paulo Guinote
O JA'' aconselha a leitura do texto de opinião de Paulo Guinote com o título "A implosão do Ministério da Educação" (clicar aqui).


 Paulo Guinote é professor do ensino básico e autor do blogue "A educação do meu umbigo".

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Nova regra para o próximo ano lectivo

A pouco e pouco lá se vão conhecendo algumas das novidades que o ministério que tutela o ensino tem vindo a imaginar para o próximo ano lectivo.

Confirma-se uma notícia recente que dava como adquirido o facto de a nota de Educação Física deixar de contar para o cálculo da média final de acesso ao ensino superior para a maioria dos alunos que concluam o ensino secundário. (ler aqui)

A introdução da Classificação Interna Final de Educação Física na média do secundário nunca terá sido completamente pacífica e, agora, o Ministério da Educação e Ciência confirma a alteração desta regra.

Há quem aplauda, há quem conteste. A decisão está tomada.

Aguardam-se mais novidades.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Educação Polar


Na sequência do ano polar internacional de 2007/2008, realizou-se em Montréal, Canadá, o workshop" Polar Educators" que reuniu 170 educadores de todo o mundo e a conferência "IPY From knowledge to action" que teve lugar no Palais des Congrès entre 23 e 27 de abril.
O workshop decorreu no Space for life entre 20 e 22 de abril http://polarhorizons.com/blog/?p=2855

Deste workshop resultou um grupo de trabalho que tem como objectivo intensificar a dinâmica da educação polar e literacia científica, promovendo um maior entusiasmo pela educação polar e aumentando a colaboração e troca de experiências entre diferentes países e culturas. Este grupo de trabalho intitulado POLAR EDUCATORS INTERNATIONAL tem na sua base de criação membros de diferentes países e organismos (desde museus, escolas, centros de ciência, ONGs). Mais informações na página da APECS (associação de jovens investigadores polares em portugal) http://www.portalpolar.pt/apecs-portugal.htm

Estiveram presentes na conferência 4 investigadores portugueses, José Xavier, João Canário, Sílvia Lourenço e Rafael Mendes, e 2 professoras, Emiltina Matos e Patrícia Azinhaga.

O investigador polar português José Xavier (que já esteve na nossa escola em 2007) tem um papel preponderante na divulgação dos resultados científicos, participando como orador principal na sessão plenário de dia 27 de Abril 2012 (http://webcasts.welcome2theshow.com/ipy2012/fridaykeynote), e através da sua preciosa colaboração e troca de experiências na workshop para professores (Polar Teachers)

A conferência reuniu 2800 pessoas, entre as quais investigadores, políticos e educadores que refletiram juntos as alterações climáticas e os seus reflexos nas regiões polares, os resultados das investigações científicas, os testemunhos dos Inuit que sentem diariamente as consequências das referidas alterações e as ações para a mudança que urge.
Vale a pena acompanhar alguns dos momentos mais significativos do evento através das fotos e dos vídeos.

Vale a pena dar a conhecer a riqueza das regiões polares, a sua importância a nível global e agir localmente para preservar a nossa casa!

Professora Emiltina Matos

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Metas que sejam metas

O processo da revisão curricular continua em desenvolvimento. As novidades e as declarações de intenções têm vindo à luz do dia mostrar-se um bocadinho, para que possamos adivinhar-lhes os contornos.

Segundo rezam as crónicas Nuno Crato afirmou esta terça-feira, no Parlamento, pretender criar condições que permitam a definição de metas curriculares objectivas para o final de cada ciclo de ensino (ler aqui).

Esta pretensão é muito bem-vinda. As metas em vigor (???) são umas coisas extraordinárias. São de tal modo confusas e mal concebidas que, depois de se começar a cortar a meta, é difícil perceber quando se acabou de o fazer, uma espécie de demonstração prática do paradoxo de Zenão.

Além da expressão deste desejo, Crato informou ainda os deputados que o Ministério da Educação e Ciência já recebeu 262 propostas relacionadas com a revisão curricular, das quais estão a ser analisadas 244. A revisão curricular está em discussão pública até ao final do mês.

Acedendo ao site do Ministério da Educação e Ciência pode-se contribuir directamente para este debate (clicar aqui) além de ser possível ter acesso a mais informação interessante sobre o tema.

Vale a pena, quanto mais não seja, dar uma espreitadela.

RS

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Reforma Curricular à vista


Aí está a revelação da proposta de Reforma Curricular apresentada pelo ministro da Educação (ver aqui). Lendo o que vem publicado nos jornais fica-se com a sensação de que há uns passos ao lado e outros para trás, talvez com a intenção de ganhar balanço para avançar um dia destes, quando isso for oportuno.

A situação da Educação Cívica no 10º ano, que apareceu este ano para desaparecer no próximo é um exemplo pouco edificante (é caricato constatar que as orientações para esta disciplina, referentes à sua organização para o presente ano lectivo, chegaram muito recentemente às escolas).

O resto são ajustamentos. Mais horas para Geografia e História, oferta diária de apoio ao estudo, separação da Educação Visual e da Educação Tecnológica... agora entra-se na fase de discussão pública desta proposta. Nesse sentido é deveras importante que todos nós, elementos da comunidade educativa, tomemos posição e emitamos opiniões fundamentadas.

Para que não continuemos apenas a "comer" mais do mesmo, não fiques indiferente, caríssimo leitor, participa activamente neste processo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Revisão curricular


Ao que tudo indica, a anunciada revisão curricular do ensino secundário move-se. Ainda assim, o Ministério liderado por Nuno Crato não tem enviado sinais suficientemente esclarecedores aos eventuais parceiros na reflexão que se impõe sobre tão importante tema educativo.

A desconfiança instala-se e, certamente por isso, foi notícia, no passado dia 2 deste mês, o lançamento de um abaixo-assinado, promovido pela FENPROF (ler aqui), exigindo um debate público sobre tão sensível temática, debate esse que, sublinhe-se, foi prometido pelo ministro Nuno Crato durante a discussão do orçamento para a Educação recentemente realizado no Parlamento.

No dia 5 foi a vez de FNE e Confap reclamarem o direito de participar no processo de definição da dita revisão curricular (ler aqui).

Não duvidando das boas intenções de quem está a trabalhar na revisão curricular em causa sobra, no entanto, alguma estranheza pela forma desajeitada e pouco transparente como tem vindo a ser conduzido todo o processo.

Esta história mostra que hábitos e práticas que se imaginava serem imagem de marca exclusiva da outra senhora tardam em ser alterados. Ao que parece, mudar o ministro não permite alterações significativas enquanto se mantiver em funcionamento a máquina a vapor do ministério.

Aguardemos pelos próximos episódios.

RS

sábado, 26 de novembro de 2011

Estatuto do aluno, polémica açoriana


Foi aprovado o novo Estatuto do Aluno dos Ensinos Básico e Secundário da Região Autónoma dos Açores (consultar aqui). O documento foi aprovado por maioria no parlamento regional em Outubro, com os votos a favor do PS, PSD e CDS-PP. O BE, o PCP e o PPM votaram contra.

Um dos aspectos polémicos deste decreto legislativo regional prende-se com a responsabilização activa dos encarregados de educação de alunos que tenham problemas de assiduidade ou se envolvam em casos de indisciplina (ler aqui).

Servirá a proposta açoriana de base para o documento que está a ser preparado para o continente?

O Governo mantém a intenção da apresentar um novo estatuto até à Primavera, com o objectivo de permitir a sua entrada em vigor no próximo ano lectivo.

Recorde-se que o estatuto actualmente em vigor nunca convenceu a comunidade educativa e foi, desde o início, alvo de muitas críticas.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Boas notícias


A tendência geral dos noticiários é dar aos cidadãos uma pespectiva um tanto cinzentona do quotidiano. Noticia-se a morte e esquecem-se os nascimentos, o drama parece mais importante que a felicidade humana, a tristeza vende mais que a alegria. Daí que uma boa notícia seja sempre recebida com algum espanto e, até, com certa desconfiança. Diz o povo que "quando a esmola é grande o pobre desconfia"...

Vem esta introdução a propósito da notícia que nos informa que o nosso país foi aquele que, na União Europeia, mais evoluiu em termos de população que conclui, pelo menos, o 12º ano e que atingiu também a média europeia com um em cada três jovens na casa dos 20 anos a frequentar o ensino superior (ler aqui).

Dirão os "velhos do Restelo" que isto são apenas números, que temos muitos especialistas em dourar as estatísticas e que a realidade não corresponde a estes dados. Talvez tenham alguma razão, mas é preciso não esquecer que quando nos comparam com outros países aquilo que se compara são também números e estatísticas que, não podemos saber até que ponto não terão sido pintados a tinta de ouro pelos respectivos especialistas.

Seja como for, esta notícia permite-nos, pelo menos, sonhar um pouco. É de aproveitar.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Problema complexo


O nosso país está a atravessar uma crise complicada. Os problemas orçamentais caem uns em cima dos outros e obrigam a contas muito dificeis. Mesmo os mais reputados matemáticos e economistas são obrigados a recorrer ao auxilio de sofisticadas máquinas de calcular, não são contas para papel e lápis.

O orçamento de estado deste ano deixa a educação em muito maus lençóis (ler aqui), ninguém pode dormir descansado.

Questionado por jornalistas, em Braga, o ministro Nuno Crato escusou-se a pronunciar-se em concreto sobre os cortes previstos no orçamento do seu ministério, mas considerou que as opções do Orçamento do Estado para 2012 são "as melhores" face ao "momento difícil" que o país atravessa. "São opções difíceis, vivemos um momento difícil, mas eu creio que são as melhores opções face à situação em que estamos", disse. "Temos todos esperança no futuro, na educação, na ciência, vamos ultrapassar este momento difícil, vamos de certeza conseguir ultrapassá-lo", acrescentou.

Como podemos constatar, o ministro Nuno Crato tem esperança. E nós? E tu, leitor, até que ponto partilhas desta esperança? O que podes tu fazer para tentar ultrapassar as tremendas dificuldades que estás (que estamos) a passar?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ministro novo...



Temos um novo ministro com uma pasta aparentemente nova e bastante mais volumosa já que acumula Educação, Ensino Superior e Ciência.


Ministro novo, pasta nova. Falta saber se as ideias expostas por Nuno Crato, que ao longo dos últimos anos produziu muitos e interessantes comentários sobre o fenómeno educativo, falta saber se o ministro será capaz de se encontrar com o comentador e chegar a conclusões claras e objectivas.


A conjuntura não é nada favorável para desencantar medidas salvadoras. O ministro vai precisar de governar com dureza mas, espera-se, também com sensibilidade e bom senso que são coisas que não têm abundado nos anos mais recentes ali para os lados da Avenida 5 de Outubro.


Nuno Crato não precisa de querer resolver tudo de rompante, necessita apenas de ser capaz de colocar em acção a inteligência que se lhe reconhece, apesar da troika e apesar de muitos outros factores extremamente negativos que estão na base da governação que se avizinha e se adivinha.


Não desejo boa sorte ao ministro, ele não precisa de sorte. A este ministro parece-me mais adequado desejar que faça um bom trabalho.


RS

domingo, 9 de janeiro de 2011

Revolução permanente


Em 2011 será tempo de dizermos adeus à disciplina de Área de Projecto no 12º ano e tempo de nos prepararmos para dizer olá à disciplina de Formação Cívica, a chegar para o 10º ano de escolaridade obrigatória (ler aqui).

Uns dizem que o ministério não consegue parar quieto e que tem de estar sempre a mexer em coisas que mal tiveram tempo para assentar, outros são de opinião que é necessário ter a coragem de reconhecer quando as coisas, na prática, não resultam como haviam sido imaginadas em teoria e mudá-las sem hesitação.

Nos últimos 36 anos muitas têm sido as trocas e baldrocas nos currículos do básico e do secundário. Há disciplinas que vêm e vão sem quase darmos por elas, estatutos que oram são uma coisa ora são outra, completamente diferente, avaliações de professores que não chegam a ser coisa nenhuma. Exames sim, exames não, ministros com ideias, outros nem por isso, situações aberrantes, outras que nos inundam da mais infundada esperança. Vivemos uma crise permanente na educação em Portugal e, ao que tudo indica, a crise continua.

A mudança é desejável num sentido evolutivo. As coisas dificilmente atingem um estado de perfeição tal que se tornem eternas mas... a mudança, ainda para mais num campo sensível como o da educação, terá de ser o resultado de um processo de reflexão, sujeita a análise e experimentação, antes de ser implementada. Caso contrário trata-se de revolução, pura e simples. Talvez o ministério da educação seja o mais revolucionário dos órgãos de poder público do nosso país (e do mundo?) e ainda não se tenha apercebido disso. Vivemos uma constante revoluçãozinha feita aos bochechos e continuamos à espera de perceber o que se pretende com ela.

RS

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O exame contra-ataca


Segundo o jornal Público "A disciplina de Filosofia deverá voltar a integrar, já no próximo ano lectivo, o lote de exames obrigatórios para a conclusão do ensino secundário. Esta foi a garantia que o Ministério da Educação deu à Sociedade Portuguesa de Filosofia (...)" (ler tudo aqui)
Como preparação para este inesperado regresso o Ministério propôs às escolas secundárias a realização de um teste intermédio de Filosofia no próximo mês de Fevereiro de 2011.

Este teste é facultativo e, segundo o presidente da Sociedade Portuguesa de Filosofia, Ricardo Santos, pelo menos um terço das 600 escolas secundárias inscreveu-se para o realizar. O JA'' pode informar que a Anselmo de Andrade não se encontra entre essas escolas porque se considerou não ser oportuna a realização desse teste intermédio, tendo em conta a planificação das actividades lectivas para 2010/2011.
Em 2007 acabou o exame, em 2011 o exame regressa. Terá vindo para ficar? Qual a justificação para este regresso do exame de Filosofia? Certamente alguém poderá dar resposta a estas questões mas, tal como em tantas outras situações ao longo dos anos, fica a sensação de que o Ministério navega à vista e há decisões que são tomadas de ânimo tão leve, tão leve, que ficam a pairar no ar, sujeitas aos caprichos do vento ou da mais suave das aragens.

O Ministério da Educação mudou de ministra. Que mais mudou no Ministério?

RS

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Finalmente!


A notícia entrou discreta e de mansinho, um diploma aprovado em Conselho de Ministros determina o fim da Área Projecto para os 2.º e 3.º ciclos no próximo ano (ver aqui, no Comunicado do Conselho de Ministros de 14 de Outubro de 2010, ponto 6).

Nesse comunicado pode ler-se também que: No âmbito da melhoria e aperfeiçoamento na organização do currículo e das aprendizagens, e do desenvolvimento da autonomia das escolas, possibilita-se que, no âmbito da respectiva autonomia, expressa no seu projecto curricular de turma, estas possam organizar a carga horária semanal em períodos de 45 ou 90 minutos. A novidade prende-se com uma verdadeira partilha de responsabilidades entre o ministério e as escolas na organização da carga horária semanal no ensino básico. Esta atitude ministerial é de louvar.

Aqueles que reclamam uma maior (e verdadeira) autonomia para as escolas têm agora uma oportunidade dourada para fazer valer os seus pontos de vista e provar que uma escola funciona melhor quando é organizada a partir do interior, com decisões tomadas pelos respectivos conselhos: Geral e Pedagógico.

Segundo o mesmo comunicado: O diploma procede, ainda, à eliminação da área de projecto do elenco das áreas curriculares não disciplinares, decorrente, quer da experiência da sua aplicação, quer das opiniões expressas pela comunidade educativa que o consideram ineficaz. Aqui chama-se a atenção para o facto de estarmos perante uma decisão tomada com base na experiência da aplicação prática e das opiniões expressas pela comunidade educativa. Por uma vez, espera-se que seja a primeira de muitas, o ministério deu ouvidos a quem lida no terreno com o resultado das suas orientações e não apenas com as opiniões de "especialistas" que o que conhecem melhor é a cor das paredes dos respectivos gabinetes.
Estaremos perante uma alteração do comportamento do Ministério da Educação? Aguardemos pelos próximos episódios.

domingo, 3 de outubro de 2010

Metas de Aprendizagem


Foram divulgadas as metas de aprendizagem para a Educação Pré-Escolar e Ensino Básico (consultar aqui, no Portal da Educação).

Não se trata de um documento normativo, daí que a sua aplicação prática seja, pelo menos por enquanto, voluntária e não obrigatória.

Talvez esta maleabilidade na sua aplicação resulte da data de publicação do documento, com o ano lectivo já em andamento não permitindo planificações anuais que tivessem em conta estas linhas gerais de orientação. Teremos de aguardar algum tempo até podermos perceber de que modo estas metas de aprendizagem irão influenciar o futuro do ensino no nosso país.

Quanto ao Ensino Secundário prevê-se a sua divulgação até ao final do ano lectivo 2010/2011.

A consulta deste documento é importante e será fundamental reflectir sobre ele bem como lançar um debate aprofundado sobre as suas características específicas.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Uma das escolas mais avançadas do mundo



A notícia veio na 1ª página do Público e também podemos encontrá-la na edição online deste jornal em posição de destaque (aqui): Escola premiada pela Microsoft fechou.

Uma pessoa dá com aquele título e imediatamente o relaciona com a vaga de encerramentos de escolas que transfigurou por completo o panorama educativo no interior do nosso país.
Ficamos a saber que a EB1 de Várzea de Abrunhais, Lamego, fora escolhida pela ultra-poderosa Microsoft para fazer parte da rede mundial de escolas inovadoras e que acabou de ser encerrada e os seus 32 alunos (certas fontes referem apenas 16 alunos, outras falam em 23...) recolocados num centro escolar sem telefone nem internet. Parece impossível!!! Parece? (ver aqui vídeo em tom apologético sobre a qualidade e excelência do trabalho desenvolvido na Várzea de Abrunhais)

Uma pesquisa no Google permite-nos compreender um pouco melhor a dimensão do gesto ministerial ao fechar as portas desta escola (ler aqui artigo da Visão publicado em Fevereiro deste ano). A reportagem da RTP (ver aqui) sobre o exemplo desta escola portuguesa para o resto do mundo sublinhava bem o papel do programa do computador Magalhães no avanço tecnológico e na qualidade do ensino nas nossas escolas.

Os elogios choveram de todos os lados, Várzea de Abrunhais sonhou que estaria, definitivamente, no mapa-mundo. Enganou-se quem acreditou que a qualidade do trabalho desenvolvido poderá alguma vez impedir a cegueira burocrática de cortar a direito, naquele seu jeitinho habitual.
O encerramento da escola estava há muito decidido (ver aqui) tendo o ministério da educação prometido que «com os alunos, será também transferido o seu projecto educativo de utilização das novas tecnologias, que mereceu um prémio da Microsoft, alargando-se assim às duas centenas de alunos da nova escola». A fazer fé na badalada notícia do Público «os 32 alunos da EB1 de Várzea de Abrunhais - que dispunham de wireless e em cujas aulas os Magalhães trabalhavam conectados com o quadro interactivo - foram transferidos para um centro escolar onde não há telefone nem Internet.»
Das duas uma: ou a notícia do Público é falsa e ainda haverá um desmentido oficial, ou é verdadeira e o ministério da educação terá feito o trabalho do costume. Com tanto tempo para preparar a transição dos alunos, parece impossível que os tenham enviado para uma escola com recursos educativos desadequados ao projecto que tantos elogios mereceu e tanto entusiasmo despertou no país e... no ministério da educação. Um caso exemplar?
Entretanto, consta que na Várzea de Abrunhais o dia continua a ter 24 horas.
RS

terça-feira, 6 de julho de 2010

Reforma curricular adiada


A notícia do adiamento da implementação da reforma curricular do ensino básico entre o 7º e o 9º ano de escolaridade pode não ser uma má notícia (ler aqui). Toda a gente sabe, a começar pela ministra da educação, que é necessário racionalizar os currículos actuais e isso exige muito cuidado e muito trabalho, trabalho bem feito, de preferência.

A experiência que tivemos com a actuação da anterior ministra mostra bem como a precipitação na aplicação de medidas de fundo no sistema educativo é nociva, acabando por complicar muito e resolver pouco.

Espera-se que este adiamento signifique bom senso e ponderação.


RS

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Dieta precisa-se

La muñeca, pintura de Fernando Botero

A questão das chamadas "metas de aprendizagem" está na ordem do dia. A ministra Isabel Alçada já anunciou que estas metas serão em breve definidas para o ensino básico e, espera-se, serão também ponderadas para o ensino secundário.

“Temos que definir que aprendizagens são estruturantes [no Ensino Básico] para diminuir a chamada ‘obesidade curricular’”, afirmou à Lusa João Grancho, preside da ANP que promove, esta noite (foi no dia 26 do corrente), em Gaia, um debate sobre ensino e educação (ver aqui).

A questão coloca-se tanto ao nível do currículo quanto no que diz respeito à extensão dos programas por disciplina. Seria interessante comparar os fracos resultados obtidos pelos nossos estudantes quando comparados com os de sistemas de ensino de maior sucesso, não só em termos numéricos mas também no que respeita à quantidade de informação que uns e outros são obrigados a tratar por força dos respectivos programas escolares.

A ambição dos programas actualmente em vigor parece exagerada. À força de tudo querer ensinar corre-se o risco de que os alunos pouco consigam aprender. Por outro lado há um nítido desfazamento entre os métodos utilizados e as competências quotidianas dos nossos estudantes. Continuamos a privilegiar a leitura e interpretação de textos na maioria das disciplinas quando sabemos por experiência própria que os jovens de hoje cada vez lêem menos e com maior dificuldade. A aprendizagem da leitura interpretativa deveria ocupar um lugar de destaque (e não só para os alunos, os professores também precisam de muitas acções de formação a este nível) ou então talvez fosse de ponderar uma inflexão razoável nos métodos de ensino/aprendizagem actualmente em vigor nas nossas salas de aula.

Seja como for, a imagem de "obesidade curricular", independentemente dos métodos de ensino/aprendizagem, é particularmente feliz para definir um dos principais problemas com que nos debatemos quotidianamente nas escolas. Numa época em que as questões alimentares estão na ordem do dia e se tentam promover hábitos de alimentação saudável, seria interessante estender o conceito aos currículos escolares. A manter-se a situação actual poderemos afirmar que o ensino corre sérios riscos de sofrer um Acidente Vascular Cerebral. Dieta precisa-se. Com toda a urgência.
RS

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Estatutos


No meio do tsunami legislativo provocado pela anterior equipa do Ministério da Educação saíu-nos em sorte o actual Estatuto do Aluno do Ensino Não Superior . É opinião corrente que o referido estatuto causa mais problemas do que aqueles que resolve e os novos responsáveis pela educação já manifestaram publicamente a intenção de o alterar.

Na verdade, o que a ministra Isabel Alçada tem estado a fazer desde que tomou posse (e irá continuar a fazer durante muito tempo) é tentar endireitar as coisas que nasceram tortas pela mão de Maria de Lurdes Rodrigues o que, mesmo segundo a sabedoria popular, é extraordinariamente complicado.

Desde o famigerado processo de avaliação de desempenho dos professores à reorganização curricular do 3º ciclo, passando pelo estatuto da carreira docente e do aluno, muito tem que que trabalhar a nova equipa ministerial para tentar minorar os efeitos negativos da herança recebida. Maria de Lurdes Rodrigues parecia ter o toque de Midas, mas ao contrário.

Até aqui foi feito um diagnóstico correcto das maleitas que estão a asfixiar o sistema educativo. Falta saber se o tratamento de choque necessário resultará eficazmente.

Para já as alterações ao estatuto do aluno estão a ser moeda de troca nas negociações do ministério com os sindicatos. Os sindicatos reclamam novas regras na organização dos horários de trabalho dos professores, o ministério responde com a proposta de algumas alterações no estatuto do aluno, eliminando a obrigatoriedade da realização de provas de recuperação e ainda a simplificação de procedimentos ligados a processos disciplinares, como forma de aliviar o trabalho docente.

Não parece grande ideia estar a utilizar estas alterações como argumento no debate negocial em curso mas em tempo guerra não se limpam armas. Segundo o secretário-geral da Fenprof, o Ministério da Educação invocou motivos de “ordem financeira, social e política” para não aceitar as alterações propostas pelos sindicatos jogando, por isso, a cartada das alterações ao estatuto do aluno.

Note-se que, apesar das declarações da ministra e do secretário de estado, ainda não se sabe como irá funcionar esta história das faltas nem o que vai ser das provas de recuperação. Se repararmos bem os professores titulares ainda não "acabaram" e o modelo de avaliação do desempenho dos professores em vigor continua a ser o mesmo. Resumindo e concluindo; temos ouvido algumas declarações de intenções mas até agora e na verdade continua tudo na mesma! Falta legislar e passar ao papel, de preferência assinado.
RS

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Os "rankings" estão a chegar


Como já vai sendo hábito, com o outonal caír da folha chegam os "rankings" das escolas portuguesas. As notas das avaliações internas finais e dos exames nacionais do ano lectivo 2008/2009 vão ser esmiuçadas das mais variadas formas e feitios, dando origem a listas ordenadas de escolas. Umas serão boas, outras nem por isso, em função dos resultados obtidos pelos alunos que, em princípio, reflectem a qualidade do trabalho que desenvolveram conjuntamente com os seus professores.

Toda a gente sabe que os "rankings" são discutíveis, que há conjunturas específicas que justificam sucessos ou insucessos, etc. e tal, mas, verdade verdadinha, é que sabe bem encontrar o nome da escola em que trabalhamos num lugar que seja cómodo e não envergonhe.

Aguardemos pela publicação da coisa.

Voltaremos a este assunto.